A HISTÓRIA DA MAÇONARIA

que você já ouviu falar sobre a Maçonaria?

Acredito que, assim como eu, já ouviu muita coisa! Eu mesmo, desde criança ouvia falar que os maçons faziam um pacto com o diabo e vendia sua alma para ser rico, e, com essa “venda” conseguia adivinhar o que o outro maçom ou as pessoas estavam pensando.

Assim como eu relatei acima, tenho certeza que você também já ouviu falar algo parecido, ou até mesmo pior; mas você já ouviu falar aquele dito popular de que “QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO”? Ou então lembra daquela brincadeira de infância do TELEFONE SEM FIO? A informação original nunca chegava ao final como ela tinha saído.

Pois é assim mesmo, toda vez que alguém ouve uma história e conta esta mesma história, sempre aumenta um pouco mais de fatos, ou até mesmo diminui.

O que posso lhes afirmar são duas coisas, uma é que a Maçonaria e os Maçons não são tudo que a sociedade pensa e acha que sabe sobre ela e nós; a outra é que nós fazemos muito mais coisas que as pessoas pensam ou acham que sabem que fazemos.

De início lhes digo, que na atualidade, a Maçonaria é uma instituição filosófica, filantrópica e progressista, e, ao contrário do que mitos pensam, não somos uma religião, mas somos extremamente religiosos, pois umas das exigências para o ingresso na Ordem é que tenhamos uma religião definida na crença em Deus a quem denominamos de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.

Na Maçonaria você pode ser católico, espírita, protestante de qualquer uma de suas vertentes, budista, islamita, judeu ou outra qualquer que você professe.

Temos como princípios básicos a Igualdade, a Liberdade e a Fraternidade para que as Nações possam ser justas para com seus cidadãos; além disso, temos como objetivos a verdade, o exame da moral e as práticas da virtude.

Para se tornar um maçom é necessário receber o convite de um já maçom, ter a concordância da esposa ou da mãe e da família, caso contrário não poderá participar; se faz necessário que seja um homem de bons costumes e que tenha consciência de sua Pátria, dos seus semelhantes, de si mesmo, praticar uma profissão lícita que seja capaz de prover sua subsistência e da sua família.

A reuniões ocorrem nos chamados Templos e existe vários tipos de ritualística praticadas em todo o Mundo; no caso do Brasil temos os seguintes ritos: Adonhiramita, Brasileiro, Escocês Antigo e Aceito, Escocês Retificado, Moderno ou Francês, Schröder ou Alemão, York (americano) e York Emulação ou Inglês.

Cada um desses ritos tem suas peculiaridades e características próprias. Aqui faço dois adendos, um quanto o Rito Brasileiro que é originário do Brasil e praticado no Brasil e há pretensões de se instalar uma Loja nos Estados Unidos; e, o outro é quanto ao Rito Adonhiramita, que tem sua origem na França e de 1818 até por volta de 2015 era praticado somente no Brasil, uma vez que após a queda de Napoleão Bonaparte, o Rito foi banido e proibido de se praticar em toda e Europa e demais colônias francesas, tendo sido restaurado depois de 2015 e Portugal.

Historicamente falando, não há uma data ou momento específico que se possa definir como tendo sido o surgimento da Maçonaria, mas alguns autores falam que foi na Idade Média com o surgimento de encontros de algumas confrarias de pedreiros que se dedicavam à construção de Castelos e Igrejas medievais. Mas há relatos bem mais antigos que remontam à Grécia, Egito, Pérsia, Macedônia Mesopotâmia e outras civilizações da antiguidade clássica.

A verdade é que a Maçonaria ganhou a configuração que tem atualmente a partir de 1717, na Inglaterra quando esta passou a aceitar outros membros de outras profissões e se transformou em uma entidade voltada em defesa da LIBERDADE DE PENSAMENTO e EXPRESSÃO POLÍTICA e RELIGIOSA, tudo isso com a ascensão da burguesia como nova ordem dominante e que muitos delas buscaram resgatar suas origens nas antigas iniciações dos Cavaleiros Templários.

Essa configuração foi possível graças à quatro Lojas da Inglaterra (Grande Loja de Londres – Grand Lodge of London, A Coroa – The Crown, A Macieira – The Apple e o Copázio e as Uvas – The Rummer and Grappes) que se reuniram n dia 24 de junho de 1717 na taverna “O Ganso e a Grelha”, que ficava no adro da Igreja de São Paulo em Londres.

Lá essas quatro Lojas resolveram que elas deveriam se reunir todos os anos em 24 de junho para lança metas e objetivos quanto a Ordem Maçônica, em que elas deveriam estreitar os laços entre si e entre os maçons, fazendo com que surgisse, anos seguintes, a Constituição de Anderson.

Nas décadas de 1730 e 1740 havia na Inglaterra duas denominações (não chamarei de potências por não haver essa identidade), a Grande Loja de Londres e as Grandes da Irlanda e da Escócia.

Os irlandeses e escoceses consideravam que a Grande Loja de Londres estava se desvirtuando das antigas práticas da Arte Real, o que fez com que eles se aproximassem mais das lojas de Londres não “filiadas” à Grande Loja de Londres.

Em 1751 esses irlandeses e escoceses fundaram a Grande Loja dos Antigos, que se consideravam os praticantes de uma forma mais antiga da Maçonaria e que se contrapunha à Grande Loja de Londres a quem eles denominavam de Grande Loja Premier, termo que para eles era tido como MODERNOS, fato que passou a existir os Antigos e os Modernos.

Em 1809 os Modernos e os Antigos começaram uma aproximação com o intuito de se reconhecerem. Em 1811 as Duas Denominações passaram a ter comissários entre si. Em janeiro de 1813, o Duque de Sussex (nos dias atuais os títulos reais dos Sussex são destinados aos familiares do segundo filho do herdeiro do Trono inglês), filho do Rei George III, tornou-se Grão-Mestre dos Modernos, e, em dezembro do mesmo ano o Duque de Kent se tornou o Grão-Mestre dos Antigos.

Mas a unificação só viria a acontecer em 1870 quando a Maçonaria Inglesa se tornou uma expressão das aspirações das classes médias inglesa.

Foi com base em organizações de ofícios que passou a ter, a Maçonaria passou a adotar o sistema de “Clube da Caixa”; isso era uma prática comum na Europa de algumas corporações de ofícios, que em suas sedes havia uma espécie de “caixa” em que seus associados colocavam uma certa contribuição para ser usado por àqueles membros que estavam passando por necessidades, fato que fez com que a Maçonaria adotasse a prática da caridade e mendicância como sua força social, uma vez que no século XVII, os Estados-Nações não faziam nem se preocupavam com as populações mais carentes e necessitadas.

E, foi nesta fase que fez com que a Maçonaria passasse a não ser bem vista pela Igreja, uma vez que a Maçonaria, em si, defendia que cada um deveria ser livre para praticar e professar a sua religião, o que contrariava especialmente a Igreja Católica.

Neste período, a Maçonaria era notadamente uma verdadeira sociedade secreta, uma vez que buscava fugir das perseguições religiosas, em especial do Tribunal da Inquisição, que ainda assolava a Europa.

Na atualidade não temos mais esta preocupação, pois a luta dos antigos maçons pela liberdade dos homens tem seus frutos na sociedade atual.

Foi com base no movimento Renascentista e no Iluminismo que a Maçonaria abraçou o trinômio de IGUALDADE, LIBERDADE e FRATERNIDADE, o que proporcionou o seu fortalecimento junto à burguesia emergente na Europa, em especial na França com a Revolução Francesa que expandiu a ideia de liberdade para além do Oceano Atlântico.

Após o movimento em solo francês que derrubou a monarquia, antes imbatível e inabalável, daquela Nação, que era siamesa do clero, a ideia de liberdade chegou às Colônias Americanas; primeiro nas Colônias Inglesas com a Proclamação da Independência dos Estados Unidos em 1772 e depois nas Colônias Espanholas em 1808 e consequentemente na América Portuguesa em 1822.

No processo de independência dos Estados Unidos, a influência maçônica foi tão forte que dizem que a Capital Americana, Washington, seria toda “planejada maçônicamente” com suas instituições tendo uma ilustração de símbolos maçônicos, se visto pelo alto, a saber: o Capitólio possui o formato em que sua circunferência formaria o entroncamento de um compasso e suas pernas seriam formadas pelas Avenidas Maryland e a Avenida Pensilvânia, onde se liga o Capitólio à Casa Branca.

Temos ainda que ao traçar linhas imaginárias, interligando o Capitólio, a Casa Branca e o Memorial Thomas Jefferson, é possível formar o Triângulo Equilátero ou Delta Sagrado, importante símbolo da maçonaria; o olho, que deve estar situado no centro, é representado pelo Monumento de Washington, obelisco que possui 58 metros de altura. Além destes temos também a cédula de U$ 1 (um dólar) que é ilustrada com uma pirâmide e no seu topo há um delta com um o “olho que tudo ver”.

Dentre os maçons que assinaram a Declaração de Independência temos: John Adams, Samuel Adams (que eram irmãos de sangue), George Washington (que se tornou o primeiro presidente), Thomas Jefferson, George Clymer, Benjamin Franklin, George Tylor e George Rea.

No caso da América Espanhola, os principais nomes que eram maçons temos Francisco Gabriel de Miranda e Rodrigues e Simon Bolívar na Venezuela; Bernardo O´Higgins Riquelme no Chile; Carlos Montúfar no Equador.

Na América Portuguesa, temos que fazer “três períodos” de influência da Maçonaria, o primeiro é quanto a independência em 1822 onde tínhamos dois expoentes: José Bonifácio de Andrada e Silva que defendia a independência do Brasil de Portugal e a manutenção da Monarquia. E o outro era Joaquim Gonçalves Ledo que defendia a independência do Brasil e a adoção do sistema republicano; prevaleceu o modelo de José Bonifácio, haja visto que este era ligado ao Imperador Dom Pedro I.

O segundo período é no tocante à luta contra a escravidão no Brasil, onde tivemos maçons, notadamente negros, como Luiz Gama e José do Patrocínio que lutaram ativamente para acabar com o movimento de segregação negra e uso de mão de obra escrava; muitos dos negros que foram libertos entre 1860 e 1888 foram comprados e alforriados por abolicionistas como os dois acima citados, dentre outros que também eram abolicionistas e maçons.

Além destes dois, tivemos ainda o Visconde do Rio Branco que foi o autor da Lei do Ventre Livre; José Antônio Saraiva com a Lei do Sexagenário e o maior jurista do Brasil, Rui Barbosa e o poeta Castro Alves, ambos baianos, que também eram maçons.

Por fim, o terceiro período em 1889 com a Proclamação da República, e, lá mais uma vez estava a Maçonaria com suas ideias revolucionárias com ilustres maçons como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamim Constante, Rui Barbosa, Silva Jardim, Campos Sales, Quintino Bocaiuva, Prudente de Morais, Aristides Lobo e o paraibano Epitácio Pessoa.

Foram esses homens, muitos deles não bem vistos na sociedade da época por serem maçons, que buscaram com sua intelectualidade e coragem lutar contra governos e sistemas que de certa forma oprimiam uma população toda ou uma parcela significativa da sociedade.

Na atualidade, não precisamos empreender essas lutas dos maçons de antigamente, pois a grande maioria absoluta dos países possuem suas Constituições, que de certa firma, garantem aos seus nacionais as condições mínimas necessárias para a prevalência do trinômio IGUALDADE, LIBERDADE e FRATERNIDADE.

Nos dias de hoje estamos mais voltados para ações filantrópicas, das Lojas, em instituições das mais variadas, tais como Casa da Criança com Câncer, Maternidade Frei Damião, Instituto Nosso Lar, Vila Vicentina, Lar da Providência que atua no cuidado de idosos desde 1912 e que, por sinal, foi fundado por um Maçom chamado Joaquim Manoel Carneiro da Cunha que era membro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Regeneração do Norte Nº 10, em João Pessoa e sendo a Loja Maçônica em atividade mais antiga no Estado um vez que foi fundada em 16 de outubro de 1898. Assim, se você quer saber o que é a Maçonaria, converse com um maçom, e assim passe a conhecer a verdadeira história dela e dos maçons, pois o que contei aqui é apenas uma pequena minúscula fração decimal de sua real e verdadeira história.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Gr.˙. 24

12 de fevereiro de 2023

Este post tem um comentário

  1. Osmir de Assumpcao

    Excelente texto meu Ir:., muito esclarecedor. Parabéns pela clareza com que expôs suas ideias.

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