Se me perguntassem seu eu gostaria de assumir um cargo comissionado em qualquer dos órgãos das administrações, seja Federal, Estadual ou Municipal, eu responderia com toda certeza que SIM!
Se me perguntassem seu eu gostaria de assumir algum cargo político, seja vereador, prefeito, vice-prefeito, deputado estadual ou federal, governador, vice-governador, senador, presidente ou vice-presidente da República, eu diria um sonoro NÃO!
Ao final deste texto justifico minhas respostas antagônicas.
Feito esta pequena “introdução”, vamos ao texto.
Em setembro de 2020, falando para o jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou a seguinte frase sobre a Lei 9.910/1998 que garantiu o instituto da reeleição no Brasil: “Cabe aqui um ‘mea culpa’. Permiti, e por fim aceitei, o instituto da reeleição […]. Sabia, e continuo pensando assim, que um mandato de 4 anos é pouco para ‘fazer algo’. Tinha em mente o que acontece nos Estados Unidos. Visto hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a reeleição é ingenuidade.”
Só que em 1997 e 1998, ele enquanto presidente, fez de tudo para ser reeleito presidente, sendo inclusive acusado de ter comprado votos de deputados e senadores para a aprovação da Emenda Constitucional Nº 16 que garantiu a Lei acima citada.
Outro fator, é que em 1997, nossa economia estava em frangalhos e em franca depressão tendo inclusive nossa moeda, o Real, sofrido com a moratória declarada pela Rússia naquele ano, causando uma crise econômica de âmbito mundial.
Nossa moeda deixou o patamar de ser considerada forte e passou a se desvalorizar dia após dia perante o dólar e demais moedas estrangeiras, fazendo com que nossa política econômica fosse de juros altos para poder atrair capitais estrangeiros e assim poder fazer reservas internacionais na tentativa de sustentar o Real forte; ledo engano, pois na época, deixamos de ser “o povo que voltou a comer carne” para ser “o povo que come frango”.
Essa política adotada, permitiu o controle da inflação, o grande vilão de décadas anteriores, mas trouxe problemas com os quais temos convivido nos últimos 24 anos, tais como: causou um déficit comercial crônico, explosão do endividamento em dólar, aumento elevado das despesas financeiras do governo federal, total dependência da entrada de capital estrangeiro, sujeição às mudanças na conjuntura do mercado internacional, e, o fechamento de grandes empresas nacionais que não tinham como competir com as grandes empresas internacionais.
Ainda em 1997 e 1998, tivemos a crise nos mercados asiáticos, o que fez com que a crise se alastrasse pelo mundo e afetasse diretamente o Brasil, e, com isso a equipe econômica realizar um aperto mais ainda do “cinto” para defender o Real da especulação internacional e evitar ainda mais a sua desvalorização, elevando os juros e tentando cortar custos do setor público.
Como consequência dessas medidas, em defesa da reeleição, o presidente candidato conseguiu reeleger-se a um custo que quem pagou a fatura foram os brasileiros, notadamente os mais pobres e que mais necessitavam da ajuda do Estado.
Como forma de maquiar esse enforcamento da sociedade, no seu segundo governo, ele criou o Bolsa Família. Isso mesmo! Ele que criou através da Lei 10.219 de abril de 2001, que unificava o Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás, todos criados em 2001.
Passados seus oito anos no poder, Fernando Henrique Cardoso não conseguiu fazer o seu sucessor, em parte por causa da fragilidade que foi seus últimos quatro anos no poder devido às crises econômicas internacionais e às políticas internas que não conseguiam competir no cenário internacional, inclusive com privatizações e quebra de grandes bancos particulares em que o governo comprava a parte ruim de tais bancos para socorrer o empresariado quebrado.
Tentando ser Presidente da República desde 1989, Luiz Inácio Lula da Silva começou, de logo, vendendo seu discurso.
Nas eleições de 1989, 1994, 1998 Lula se vendia como o “metalúrgico que lutava contra os ricos e banqueiros”, nunca deu certo. Para o pleito de 2002 ele deixou de lado esse modelo de falar e passou a se associar aos grandes industriais e empresários para poder ganhar apoio das grandes indústrias.
Seu feito foi ter escolhido como candidato a vice-presidente o maior industrial brasileiro da época, chamado José Alencar que foi dono da fábrica de macarrão Santa Cruz, da Wembley Tecidos e Roupa, e, por fim da Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas).
Logo no início de seu governo, Lula buscou tranquilizar o empresariado de que manteria a política econômica que estava em vigor e para tanto colocou como Ministro da Fazenda o banqueiro internacional Henrique Meireles; e assim o fez sendo ajudado pelo crescimento dos mercados indiano e chinês.
O grande problema do seu governo foram as denúncias do então deputado federal Roberto Jefferson de que reinava o maior propinoduto da história do País que ficou conhecido como Mensalão, estourado no ano de 2005.
Além do Mensalão, tivemos o Escândalo dos Sanguessugas ou máfia das ambulâncias e o Dossiê da Política Federal que ligavam o governo de São Paulo aos Sanguessugas, este adversário nas eleições presidenciais que estavam em curso.
O presidente então passa a vender uma imagem de combatente da corrupção tanto no sentido interno quanto externo, valendo-se das condenações judiciais para agregar a imagem de um governo combatente da corrupção.
Para se reeleger, o presidente candidato alegava que tudo isso não passava de tentativas de golpes para manchar seu governo e que este não tinha ligações com os referidos casos de corrupção praticada por terceiros.
No seu segundo governo, conseguiu até fazer certos “milagres” pois manteve a inflação sob controle e o Produto Interno Bruto chegou a elevados 2,6% de média, além da redução do desemprego que chegou a taxa de 9,9%, criou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que foi o incremento para diminuir a taxa de desemprego, e, por fim, criou uma série de programas de financiamento da educação na busca de uma maior qualificação das camadas mais abastadas.
Alavancada pelo seu padrinho Lula, Dilma Rousseff foi eleita a primeira mulher Presidente do Brasil, mas logo de início teve que fazer uma reforma ministerial para tentar desvencilhar seu governo de denúncias de enriquecimento de alguns ministros, em especial do Ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, que segundo denúncias possuía bens incompatível com seus vencimentos.
Enfrentou a crise com aumento de preços e das tarifas de transportes públicos, mas se valeu de programas sociais como o Mais Médicos, que incentivava a contratação de médicos estrangeiros e do Pré-sal para manter-se em evidência ajudada pela campanha de seu antecessor para que o País fosse sede da Copa do Mundo de 2014, inclusive com o Programa de Aceleração do Crescimento na construção de estádios de futebol com financiamento público através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Economicamente falando, seu governo foi um desastre, se comparado ao seu antecessor, pois o Produto Interno Bruto caiu de forma brusca, além da elevação da inflação que passou a beirar a casa dos quase dois dígitos, coisa que não se via desde 1991.
Com o fim da construção dos estádios de futebol o desemprego voltou a assustar, fazendo com que os juros aumentassem e o crédito sumisse do mercado. Mas, como bem falou o Papa Francisco que “Brasil não tem salvação pois é muita cachaça e pouca oração”, talvez em referência às diversões com bebidas nos estádios, o eleitorado esqueceu toda crise e reelegeu Dilma, que teve no seu segundo governo as consequências desastrosas da política econômica do seu primeiro mandato.
O fato é que a crise econômica mundial e brasileira só aumentou e o brasileiro que era “o povo que come frango” passou a ser o “povo que comia ovo”, quando tinha, passou a se ver sem saída, pois a economia vivida das chamadas pedalas fiscais da presidente para poder sobreviver e ela não tinha mais sustentação de uma base política no Congresso Nacional, tanto que seu vice-presidente Michel Temer foi citado diversas vezes como sendo o articulador de sua queda em 2016 para que ele assumisse a Presidência.
Diante desse cenário, o brasileiro, como sempre, buscou um “salvador da Pátria” e elegeu Jair Bolsonaro para reorganizar a economia.
O fato é que este pouco consegue fazer algo, pois seus rampantes administrativos parecem mais de uma criança brincando de ser gente grande.
A economia está totalmente estagnada, na melhor perspectiva, pois na realidade está em acentuada queda e a equipe econômica do Governo não sabe o que fazer a ainda bate cabeças quando se depara com outra área do próprio governo que se viu prejudicado pela Pandemia da Covid-19 que o presidente nunca aceitou ser uma pandemia, tratando-a com uma simples gripe.
A inflação deixou de beirar a casa dos dois dígitos e assim passou a ser uma realidade com a alta constantes de todos os bens vendidos no país.
Agora no ano eleitoral e para se reeleger, tem feito de tudo para tentar se cacifar para mais quatro anos.
Para tentar atrair votos dos mais pobres maquiou o já existente Bolsa Família com o nome de Auxílio Brasil, onde reúne todos os benefícios pagos pelo Governo Federal em um só valor dizendo que é de R$ 400,00 (quatrocentos reais), quando na realidade seria este valor se cada pessoa pudesse receber todos os benefícios sociais existentes, pois há benefícios que uma mesma pessoa ou família não pode acumular.
Para piorar, os combustíveis não param de aumentar devido a sua política de reajustes atreladas ao dólar, pois quando assumiu o poder em 2019 o preço médio do litro de gasolina era de R$ 4,59 (quatro reais e cinquenta e nove centavos), passando atualmente para o valor médio de R$ 8,03 (oito reais e três centavos), ou seja, um aumento de quase cem por cento no litro.
Não bastasse esses fatores, sofre constantes ataques de interferência nos demais órgãos da administração, tendo mudado por diversas vezes o Ministro da Saúde que discordava de seu modo de ver a Pandemia da Covid-19; de ter influenciado na demissão do seu Ministro “número 1” Sérgio Moro por questões que envolviam a Polícia Federal e investigações ligadas à sua família; agora, mais recentemente, já mudou o presidente da Petrobras três vezes em menos de cinquenta dias.
Ainda, para se manter no poder e não ter seus mais de cem pedidos de impeachment colocado em pauta na Câmara dos Deputados, se aliou ao grupo chamado de Centrão na Câmara dos Deputados, onde concede verbas através do mecanismo do orçamento secreto e concessão de verbas de gabinete e cargo no governo, aliando-se aos acusados e condenados no Mensalão do governo petista, a saber o próprio Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto, dentre outros.
E, ainda faz as suas motociatas para tentar vender a imagem de que está junto do povo, mas esquece que tem gasto dinheiro público com tais ações quando deveria fazer uso deste dinheiro em prol dos mais necessitados; ter patrocinados ataques ao Judiciário de forma ampla, pois acha que está acima da lei por discordar de decisão judicial.
Por fim, alega que as urnas eletrônicas são falhas para justificar que não aceitará sua derrota nas urnas por ter sido “roubado”, fato que já vem alegando desde o pleito passado quando se elegeu presidente.
A meu ver, se ele for reeleito, será pior que Dilma Rousseff, que ficou apenas cento e oitenta dias no segundo governo.
A nós basta esperar para ver como nós iremos pagar esta conta mais uma vez.
Ah! A resposta sim eu diria e assumiria tentando dá o melhor de mim buscando ser íntegro, correto e fazendo de tudo em busca do melhor para a coletividade e os administrados, como manda os melhores regulamentos administrativos e da Administração Pública e justifico com o argumento de que um cargo em comissão é menos responsabilidade e consequentemente menos cobranças desde que se faça as coisas dentro dos ditames da lei.
Já quanto a segunda resposta eu resumo que assumir um desses cargos, a pessoa deixa de ser pedra jogada em vidraça para ser a própria vidraça que recebe as pedras que são jogadas, pois as responsabilidades e cobranças que o cargo exige são maiores e quem assume acaba não cumprindo com nenhuma delas e pensam apenas no valor financeiro e vantagens que recebem por tal função.
Dito isto, eu não sei por que alguém quer ser Presidente da República com tantas dores de cabeça para um cargo que oferece um salário de R$ 30.934,70 (trinta mil novecentos e trinta e quatro reais e setenta centavos), que se tirar uma média, nos quatro anos de governo a pessoa receberá a bagatela de R$ 1.670.473,80 (um milhão seiscentos e setenta mil quatrocentos e setenta e três reais e oitenta centavos).
Vale lembrar que o atual presidente declarou em 2018 que gastou R$ 2,8 (dois milhões e oitocentos mil reais) com a campanha.
Eu particularmente não entendo como alguém gasta R$ 2,8 milhões de reais em um projeto que vai lhe render apenas R$ 1,6 milhões de reais.
Talvez isso seja AMOR À PÁTRIA e como respondi às questões acima, eu não tenho este amor à minha Pátria.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Bacharel em Direito e em História com Pós-Graduação em História do Brasil
Gr.˙. 21
25 de maio de 2022

Obrigado meu irmão Salatiel, sempre leio atentamente seus textos. Como se deve ser, concordo e discordo de alguns raciocínios, mas sempre reconhecendo a qualidade de sua expressão.
Nosso fraterno abraço meu irmão.
Na medida que a nossa capacidade avaliativa e interpretativa fica mais aguçada, aumenta as responsabilidades das nossas escolhas. Que nosso GADU nos dê sempre luz e honestidade para nossas escolhas.
Saúde e paz meu BAI.
Texto muito bem contextualizado explicativo, onde os fatos são apresentados de maneira que o leitor possa criar a sua própria interpretação a respeito do exposto, temos a necessidade de encontra um administrador que seja envolvido com a causa do Brasil e dos brasileiros e lute pelo bem desta nação sem influência e paixões pessoais
Um raio x reaumido mas direto ao ponto da nossa poitica, muito bom querido irmão Salatiel