Todos os anos no dia 7 de setembro, relembramos nossa Independência e afloramos mais ainda nosso sentimento de patriotismos e com isso lembramos do famoso quadro de Dom Pedro I muito bem vestido junto com os “Dragões da Independência” com sua espada em punho e que havia proferido a famosa frase “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”.
Aqui, farei uma análise pessoal daquele 7 de setembro de 1822 e dos fatos que o deram origem a data e de fatos posteriores.
Primeiro vamos ao famoso quadro: é sabido e notório por todos que o quadro não retrata a realidade daquele dia.
Não tinha como Dom Pedro, então Príncipe Regente está tão bem vestido, uma vez que ele estava viajando ao interior do Brasil (atual Estado de São Paulo) depois de sair do Rio de Janeiro e dias e dias de viagem.
Outro ponto, é que o quadro foi pitando pelo pinto paraibano Pedro Américo entre os anos de 1886 e 1888, ou seja, Pedro Américo pintou o quadro entre sessenta e quatro e sessenta e seis anos após o famoso dia 7 de setembro de 1822.
Logo, nesse tema, o quadro não retrata em nada a realidade do 7 de setembro de 1822.
O segundo ponto é quanto ao heroísmo dado da Dom Pedro I como patrono da Independência do Brasil.
Nesse quesito, temos que fazer algumas justiças.
Conforme dito no primeiro aspecto, o Príncipe Regente Dom Pedro (Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon) estava fora da cidade do Rio de Janeiro, então sede do governo brasileiro, e, na sua ausência na cidade, quem governava era a sua esposa a Imperatriz Maria Leopoldina (Caroline Josepha Leopoldine Franziska Ferdinanda Habsburgo-Lorena), nascida em Viena na Áustria, aqui no Brasil adotada o nome de Maria Leopoldina.
Em outras palavras, ela foi a primeira mulher a governar o Brasil ainda no período Colonial e como tal, ela recebeu muito influência de José Bonifácio de Andrada e Silva, tanto que a carta que ela escreveu para Dom Pedro, foi redigida sob a orientação de José Bonifácio.
Não fosse sua atuação a astúcia, talvez Dom Pedro não tivesse tomado tal atitude de se rebelar conta seu pai o Rei de Portugal e do Brasil Dom João VI.
Outro fator é que quando Dom Pedro volta ao Rio de Janeiro, já não mais como Príncipe Regente e agora como Imperador do Brasil, este começa a tomar medidas centralizadora demais sob sua pessoa, começa a desagradar toda a elite intelectual que o apoiara.
Ainda em 1822, Dom Pedro I nomeia José Bonifácio para ser o seu “primeiro-ministro” que passa a tratar da elaboração da primeira Constituição do Brasil, o que desagrada a Dom Pedro e este fecha a Assembleia Nacional Constituinte em 1833.
Após esta, Dom Pedro decreta a prisão de José Bonifácio, fecha a Maçonaria no Brasil, decretando a instituição e seus membros como contrária aos interesses do Brasil.
Com a prisão de José Bonifácio, este é condenado a pena de exílio na Europa, o que só cessa após cinco anos em 1829, quando Dom Pedro retorna a Portugal para não perder o Trono português para seu irmão Dom Miguel que havia casado com Dona Maria da Glória, que governava Portugal como regente de seu pai, sob a autoridade do seu tio e marido, Dom Miguel.
Retornando a Portugal para destituir seu irmão e genro, Dom Pedro I deixa seu filho sob os cuidado de José Bonifácio de Andrade a Silva, recém perdoado pelo Imperador.
Um outro fator, é que o heroísmo de Dom Pedro I só foi escrito entre os anos de 1854 e 1857, ou seja, entre trinta e dois e trinta e cinco anos após o dia 7 de setembro de 1822.
Em 1838, o então Imperador do Brasil, Dom Pedro II, pai de Dom Pedro I, havia criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), que deveria ser o órgão cultural do Brasil.
Em 1854, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro contrata o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro, para que este escrevesse um livro sobre a História da Independência do Brasil.
Contratado Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que era pago pelo erário brasileiro e que tinha a ordem de pagamento assinada pelo Imperador Dom Pedro II, pai de Dom Pedro I, era natural que, mesmo se baseando em documentos oficiais, fosse natural que houvesse um “endeusamento” de Dom Pedro I.
Como se não bastasse esse relato acima, Francisco Adolfo só pôde fazer suas pesquisas sobre o 7 de setembro em Portugal, pois quando Dom Pedro I foi destituir seu irmão e genro do poder lá em Portugal e assumir o trono, este levou todos os documentos de sua gestão aqui no Brasil.
Outro ponto de destaque é que muitos dos documentos que Dom Pedro I levou daqui do Brasil foram armazenados em lugares desconhecidos depois que ele foi destituído do poder em 1826, quando o Parlamento português expulso Dom Pedro I de Portugal, uma vez que a Constituinte da época vedava que rei brasileiro fosse rei de Portugal; e somente por volta de 1900 é que começaram a serem reunidos na Torre do Tombo, lá em Portugal.
Assim, não se pode dizer que Francisco Adolfo teve acesso a todas as informações necessárias para se criar o verdadeiro mito de Dom Pedro I como ficou conhecido ao longos dos anos seguintes.
O que se pode dizer é que com o livro de Francisco Adolfo, “História da Independência do Brasil” foi que passou a ter esta história como sendo a verdadeira, uma história que foi contada por alguém que não viveu intelectualmente o 7 de setembro de 1822, pois este nasceu em 17 de fevereiro de 1816, ou seja, quando houve o 7 de setembro de 1822, Francisco Adolfo contava com a idade de 6 anos. 6 meses e 20 dias, alguém que na época não sabia nem o que era vida política.
Aqui, deixo a cargo de cada um de vocês leitores para que possam refletir e tirar suas conclusões sobre nosso 7 de setembro de 1822 e notadamente sobre a atuação de Dom Pedro I como proclamador da Independência do Brasil.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Gr.˙. 33 07 de setembro de 2026

Muito interessante essa história, mas temos que ter uma história para contar.