Quando saiu o resultado das eleições presidenciais em 31 de outubro de 2022, “eu fiz uma montagem” em uma de minhas redes sociais, com o Presidente da República e seus filhos caracterizados os personagens do filme de animação “A Fuga das Galinhas”.
O que eu não esperava, ou até certo ponto, deveria esperar sim, foi ver o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decolar neste dia 30 de dezembro de 2022 levando o Presidente da República pra outro país abandonando nossa pátria, sua função de Presidente da República (que só terminaria à meia noite e cinquenta e nove minutos do dia trinta e um de dezembro para o dia primeiro de janeiro); outro fator também, foi que este “líder” abandonou seus 49.277.010 (quarenta e nove milhões duzentos e setenta e sete mil e dez voto) obtidos nas urnas em 31 de outubro de 2022 e além dos outros tantos simpatizantes seus que não são eleitores ainda.
A imagem do avião da Força Aérea Brasileira decolando só me veio à mente os casos em que ditadores foram depostos, após suas atrocidades no poder, e partiram para o exílio fugindo para algum outro país.
Pior ainda, foi que parecia mais um ditador deposto de uma republiqueta qualquer, sem expressão mundial em qualquer sentido; fato que não condiz com um país como o Brasil, uma Nação continental que somos.
Para reavivar a memória e manter a história viva, fiz um compilado de ditadores que tiveram esta atitude, alguns acabaram bem, outros nem tanto.
Para começar, tivemos a Venezuela com o ditador Marco Jimenez que governou ditatorialmente de 1952 a 1958 que partiu para o exílio nos Estados Unidos e lá foi preso e cumpriu cinco anos de prisão e após ser libertado partiu para a Espanha onde viveu seus últimos dias e lá morreu em 2001 aos 87 anos.
O segundo caso foi o de Alfredo Stroessner do Paraguai que se exilou no Brasil e viveu até o ano de 2006 quando morreu aos 93 anos; seu regime ditatorial durou de 1954 até 1989 e foi marcado por acusações de violação de direitos humanos, corrupção e sonegações – bom lembrar que este ditador foi elogiado pelo próprio Bolsonaro em um discurso em fevereiro de 2019 que o chamou de “grande estadista”.
Outro que fugiu para o exílio foi o ditador haitiano Jean-Claud Duvalier que governou o Haiti entre 1971 a 1986 e partiu para um exílio na França carregando riquezas de seu país e da população que já vivia na miséria. Bom lembrar que, na época, as autoridades daquele país estimaram que ele havia desviado US$ 100 milhões (cem milhões de dólares) para contas particulares em paraísos fiscais. Ele morreu em 2014 em Porto Príncipe.
Por fim, na América Latina, tivemos Anastasio Somoza que comandou a ditadura na Nicarágua entre 1967 a 1979 e fugiu para o exílio no Paraguai, este não teve tanta sorte, pois foi morto aos 60 anos em 1980 em um atentado onde seu carro foi atingido por um lança-foguetes.
Saindo das América e indo para a África, tivemos o caso de Jean-Bébel Bokassa da República Centro-Africana que governou ditatorialmente seu país entre 1966 e 1979 e após sua expulsão foi viver na França; quando chegou ao poder, ele foi tão tosco que ele mesmo colocou uma coroa em sua cabeça e declarou-se imperador. Em 1886 ele resolver sair de Paris e voltar a seu país onde foi condenado a prisão e ficou preso até 1993 quando foi libertado e morreu três anos após a libertação.
Zine Al-Abidine Bem Ali da Tunísia governou ditatorialmente seu país entre 1987 e 2011, ano em que fugiu de seu país viver na Arábia Saudita, na sua fuga foi acusado de levar alguns milhões de dólares de seu país. Ainda está vivo e com problemas de saúde.
Mobuto Sese Seko foi ditador do Congo entre os anos de 1965 a 1997 e fugiu para o Marrocos; durante seu governo, foi acusado de corrupção, compra de casas na França e na Suíça, acumular fortuna colossal incompatível com os ganhos, além de buscar eliminar as referências culturais de seu país; morreu em fevereiro de 1997 em um hospital do Marrocos.
Mengistu Mariam foi ditador da Etiópia entre os anos de 1987 a 1991 período em que foi apontado como responsável pela morte de mais de 500 mil pessoas em seu país; fugiu para o exílio no Zimbabwe com 50 membros de sua família e lá vive até hoje, mesmo com os pedidos de extradição, uma vez que foi condenado em seu país a prisão perpétua.
Idi Amin de Uganda foi ditador em seu país entre os anos de 1971 a 1979 e fugiu para o exílio na Arábia Saudita onde viveu até sua morte em 2003; foi apontado e culpado pela morte de mais de 300 mil pessoas em seu país, foi um devassador da cultura que ele mesmo considerava inadequada. Sua maior excentricidade e insanidade foi se declarar rei da Escócia.
Indo para a Ásia, tivemos o caso de Ferdinand Marcos das Filipinas que foi ditador entre os anos de 1965 a 1986 e exilou-se no Havaí, levando consigo milhões de pesos filipinos e morreu em 1989.
Já na Europa tivemos o caso de Erich Honecker da República Democrática Alemã que governou ditatorialmente a Alemanha entre 1971 a 1989 e fugiu para o exílio na embaixada do Chile em Moscou e mesmo assim foi extraditado para a Alemanha onde foi condenado e posteriormente libertado por questão de saúde, indo viver e morrer no Chile em 1994.
Após essas considerações, apresento algumas semelhanças entre esses casos onde todos esses líderes pegaram um avião do governo de seu país e fugiram deixando para trás uns muitos ou poucos defensores de seus regimes e o caso do presidente do nosso país.
Por aqui, tivemos algumas ou muitas semelhanças do, ainda Presidente do nosso país, com esses ditadores fujões.
A primeira semelhança é a de não aceitar o governo de seu sucessor e assim fugir do país como uma criança contrariada que pega sua bola e acaba com a partida de futebol.
Alguns defensores do, ainda, Presidente do nosso país poderão argumentar que ele não é ditador e não está fugindo, e, por mais que eu queira ser do contra, tenho que concordar que ele não foi ditador, mas esboçou querer isso, apenas não conseguiu o apoio que ele queria com as Forças Armadas de nosso país; quanto ao segundo ponto, afirmo, juridicamente, que ele está fugindo.
Afirmo isso e apresento algumas evidências: desde que perdeu as eleições, que foram legais e dentro des normas eleitorais, ele se manteve calado e tal silêncio, a meu ver, tem uma justificativa, ele sabe que a partir de primeiro de janeiro de 2023 não terá o foro privilegiado e qualquer coisa que ele falasse poderia ser fato para a decretação de sua prisão (lembro que tivemos os ex-presidentes Lula e Michel Temer presos após deixarem o poder), ou seja, ele está com medo do xilindró, esquecendo até seus apoiadores na frente dos quartéis.
A segunda semelhança é quanto ao número de mortes nessas ditaduras e aqui faço uma justiça ao governo que se finda; não houve morte de opositores ao governo, mas tivemos mais de 694 mil mortes por covid-19 em seu governo, que além de dificultar as ações de combate à Pandemia, negou a existência da mesma e negou a eficácia das recomendações das autoridades de saúde, sendo válido apenas as suas recomendações de cloroquina, medicamento ineficaz para a os casos de covid-19.
A terceira semelhança foi a de que estes governos ditatoriais nada fizeram para diminuir a pobreza em seus países, fato que aconteceu aqui em nosso país, e, para isso lembro que nos últimos quatro anos tivemos inflação de dois dígitos, grande alta dos preços dos combustíveis, e pasmem, foram quatro anos em que eu, particularmente, não ouvi falar em crédito de moradia para as pessoas de baixa renda adquirir sua casa própria, o famoso “minha casa, minha vida”.
A quarta semelhança entre esses governos e o nosso, é o fato de as famílias dos ditadores viverem na luxuria e abundância, enquanto a maioria da população vive de catar comida no lixo para tentar se alimentar.
Uma quinta semelhança é o fato de os familiares dos governos ditatoriais serem acusados de comandarem casos de corrupção no governo para enriquecerem; no nosso país os casos se avolumam, basta pesquisar e acreditar nas informações.
Por fim, a sesta e mais triste semelhança foi a que iniciei este texto mencionando a triste imagem e percepção que tive ao ver o avião da Força Aérea B5asileira decolando e levando o Presidente da nossa Nação que foge para outro país deixando seus apoiadores e todos os brasileiros, pois todos nós, independentemente de ser partidário dele ou não, órfãos do ocupante da cadeira de Presidente da República.
Aqui fica minha percepção de que o nosso país hoje, dia 30 de dezembro de 2022, não é nada mais que uma republiqueta que foi abandonada por seu governante que preferiu fugir à enfrentar de cabeça erguida uma realidade que pode acontecer em qualquer país democrático, que é a alternância do poder.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Gr.˙. 22
30 de dezembro de 2022

Perfeita análise amado Irmão! Converge com a realidade,o nosso pseudo ditador fugiu,foi se exilar nós EUA,ou talvez ser Cabo eleitoral do seu Mestre,o nada democratico Donald Trump.
Boa percepção da atualidade nobre irmão. Leitura de fácil absorção e que prende o leitor.
Como sempre uma linguagem bem trabalhada, um texto explicativo e bem elaborado.
Salatiel Ramalho é Advogado, escreve belíssimos textos contundentes e que servem de reflexão. A fuga dos ditadores nos mostra a verdadeira farsa de governos autoritários e fala bem perto de nós sobre os riscos por que passaram o nosso Estado Democrático de Direito. Escreveu sobre casos políticos que ainda hoje envergonham a história da humanidade. Faz parte de minha geração a longa noite do AI 5, que tanto os militantes da extrema direita queriam ressuscitar. Ditadura nunca mais, e como bem o disse nosso querido escritor todo vôo de ditadores pode ser de extensão, mas sem nenhuma profundidade. É o vôo de galinha que nunca vai chegar a estatura de uma Águia. Parabéns, Salatiel.
Elogios assim vai me envaidecer. Sábia comparação da galinha e da águia. Parabéns.