EM NOME DE DEUS

Hoje dia 07 de novembro de 2022, Flordelis, que se encontra presa, por ter assassinado seu esposo, vai a júri popular por homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e tentativa de homicídio. Seria um júri “normal”, se não fosse a principal implicada, que na época do crime em 2019, era deputada federal e pastora, fato que ainda continua “pregando a palavra de Deus”, já deputada federal, a Câmara dos Deputados cassou sem mandato em 2021.

Aqui, não tenho interesse e apontar o dedo para ninguém e muito menos julgar quem quer que seja; mas busco apenas mostrar como o ser humano é impiedoso com seus objetivos de poder e dinheiro ao ponto de usar o nome de Deus em vão para tais crimes e finalidades.

Não raro, na História da humanidade, as pessoas têm usado o nome de Deus para se passarem por bons religiosos e assim cometer certas atrocidades contra as pessoas.

Na Antiguidade, ainda não tínhamos formado a concepção de Deus que temos hoje, notadamente com o advento do Judaísmo e do Cristianismo a concepção de Deus ganhou outra visão.

Mas nos períodos pré-Judaísmo e Cristianismo havia três ocasiões em que se praticavam o sacrifício humano: a primeira era quando da criação de um templo; a segunda, quando morria um rei ou um alto representante religioso; e em terceiro, quando de situações de desastres naturais, tais como secas, terremotos, erupções vulcânicas, enchentes, etc.

Na América Central, os Astecas praticavam sacrifício humanos diariamente, pois para eles, era assim que se agradava aos deuses e estes permitiam que o deus sol nascesse no dia seguinte.

As práticas de sacrifícios humanos também eram comuns na antiga civilização minoica, uma possível prova disso é a lenda de Teseu e do Minotauro, onde se acreditava que a deusa Atenas tenha enviado sete rapazes e sete raparigas (moças) para Creta como sacrifício ao Minotauro.

Na Índia, atualmente, há praticantes da religião chamada de tantrismo, que ainda, induz seus adeptos a praticarem o sacrifício humano como forma de promessa para se provocar a gravidez em casais estéreis.

O próprio cristianismo e judaísmo acreditam que a morte de Jesus foi um sacrifício que Ele fez para purificar e salvar a humanidade.

Biblicamente falando, no Livro do Gênesis, em Capítulo 22, Abraão tenta sacrificar seu próprio filho Isaque.

Feito estas considerações, vou dá um salto para o período que passou a predominar as chamadas religiões monoteístas, quais sejam, o catolicismo cristão, o judaísmo e o islamismo.

Para se ter uma ideia, dizem que o Imperador Romano Constantino, por volta do ano 300 d. C., teve “uma visão de Deus” e mandou que seus soldados pintassem uma cruz em seus escudos e que assim poderiam ir para guerra com Deus ao seu lado e conseguiriam a vitória contra seus inimigos.

Já pós fim do Império Romano e domínio total da Igreja Católica na Europa medieval, acredita-se que mais de 30 milhões de pessoas tenham morrido (assassinadas) na fogueira através do Tribunal da Inquisição; instrumento que serviu aos papas por mais de dois séculos e que aterrorizavam as pessoas, tendo inclusive vitimado Joana Darc na França, pois uma mulher não podia ser revolucionária, senão fosse a atuação do demônio sobre ela.

Aqui no Brasil colonial, a Igreja Católica, com sua subsidiária Companhia Menino de Jesus, que veio com o Padre Anchieta para catequizar os índios, permitia que os colonizadores capturassem, decretassem guerra e vendessem índio como escravos, desde que esses índios não aceitassem a dominação católica; logo os traficantes de escravos viram um bom negócio para facilitar a venda de escravos não africano aqui no Brasil, os índios “revoltosos”.

Em oposição às práticas da Igreja Católica com sede em Roma, surge na Europa o movimento protestante, nome este dado pelos católicos àqueles que pensavam diferente deles; dentre esses movimentos o segundo mais influente na Europa foi o Calvinismo de Ítalo Calvino em Genebra, na Suíça.

A influência de Calvino em Genebra foi tão grande que em 1555 ele se tornou líder religioso e político da cidade, tendo influenciado em todos os aspectos religioso, social, econômico e cultural da cidade.

Acredita-se que nos primeiros cinco anos de sua gestão em Genebra, Calvino tenha mando executar 58 pessoas, exilado 75 outras que pensavam religiosamente diferente dele; e, que a única forma de arte que poderia ser praticada naquela cidade era a música, desde que fosse sem instrumentos.

Como se observa, Calvino também era um homem de Deus, e pautou sua atuação em nome Deste para se fortalecer no poder e assim exercer influência e dominação sobre os demais seres humanos.

A situação também não foi diferente na última década do século XX na Irlanda do Norte. Lá o conflito entre católicos e protestantes fez surgir o IRA (Exército Republicano Irlandês) que lutava contra a maioria protestante.

Os conflitos e matanças atingiu o patamar de guerra civil e práticas terroristas nos anos 1980, tanto que as crianças, notadamente protestantes, tinham que ir para a escola com escolta policial, caso contrário eram vítimas dos católicos do IRA.

A estimativa, não oficial, é que mais de 3500 pessoas morreram nos conflitos religiosos e militares na Irlanda do Norte.

Nos últimos quatro anos, nosso país tem visto uma bipolarização religiosa com atuação de pastores que fazem e fizeram de tudo para convencer seus fiéis dentro de uma ideologia política de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Não sou contra essa ideologia, muito pelo contrário, sou totalmente favorável; o problema é como se implementa e os fins que se busca com isso. Não podemos esquecer que em nosso país, e na maioria dos países, vivemos um falso moralismo, onde defendemos algo, não por ser bom para todos, mas por ser conveniente para os grupos que defendem tal prática e dominam a maioria.

No dia 01 de novembro, em plena ressaca da derrota do atual Presidente da República, li uma reportagem falando sobre a Primeira Dama de nosso país em que a tratavam como “falsa” crente; e, o rótulo lhe é determinado pela forma como ele vive às turras com seus enteados, onde, segundo a reportagem, a Primeira Dama os trata de “demonizados” e que no convívio familiar não lhes dirige a palavra, fato que só acontece em público para manter a imagem do boa religiosa.

Essa da Primeira Dama é dos menores, ficando aqui apenas a realidade da mulher que muitos acham perfeita “por ser de Deus”, mas que na intimidade e na realidade, nem sempre está com os preceitos Divinos na sua intimidade familiar.

Outro ponto que merecer ser mencionado é o fato que os grandes líderes, pastores, em suas igrejas, vivem um certo luxo, opulência e tranquilidade enquanto a maioria de seus fiéis vivem com recursos escassos e que mal tem o que comer em seus lares.

Também não devemos esquecer o líder espírita João de Deus que possui um patrimônio de milhões e milhões de reais em dinheiro e bens, mas que vieram à tona as denúncias de suas práticas nada religiosas para com seus semelhantes.

Da mesma forma, e mais grave é o júri popular da ex-deputada e ainda pastora, que mesmo sendo referência para seus fiéis, esqueceu o nome de Deus e mandou que seus filhos matassem o seu então esposo.

De todos esses casos, podemos perceber que “Deus sempre esteve presente” nas vidas dessas pessoas, mas que suas ações nada religiosas mostram que o sentimento de um Deus verdadeiro nunca esteve em seus corações.

Por fim, o que me deixa perplexo é que a meu ver, pessoas que vivem dentro da igreja e falam o nome de Deus dezenas de vezes ao dia esquecem dos preceitos que recebeu de seus pais na infância, quando se está em jogo poder e dinheiro, não necessariamente nesta ordem.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Gr.˙. 21

07de novembro de 2022

Este post tem 3 comentários

  1. Ednaldo

    Texto maravilhoso, bem escrito, elucidativo e a história pura como deve ser apresentada ao leitor que por se deve criar suas impressões.

  2. Ednaldo

    (Em nome de Deus) é um texto fascinante de lê, primeiro se faz um passeio na história de pois se confronta com os fatos escolhido e depois uma conclusão onde o leitor pode criar suas impressões pessoais. Sou vacinado pela história e gosto de ser vosso leitor

  3. Thiago Cavalcante

    Percebe-se que muitas das grandes barbaridades feitas até hoje foram em nome de Deus, excelente texto meu irmão.

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