A grande maioria dos brasileiros ao se falar em INDEPENDÊNCIA DO BRASIL ou 07 DE SETEMBRO, lembram logo do famoso e lindo quadro em que Dom Pedro aparece ao alto de uma colina, muito bem vestido, montando em um verdadeiro “alazão”, cercado por um grupo de oligarcas igualmente bem vestidos em seus “alazões”, e a frente à sua “polícia” de elite da época, Os Dragões, que anos depois passaram a ser chamados de Dragões da Independência, mas que na realidade eles já existiam desde o dia 13 de maio de 1808 com o nome de 1º REGIMENTO DE CAVALARIA DO EXÉRCITO, a melhor polícia de elite da época no Brasil.
No canto inferior esquerdo, e menos percebidos pela maioria das pessoas, temos os verdadeiros brasileiros, um trabalhador puxando seu carro de boi e indo trabalhar.
O interessante é que o Quadro da Independência foi pintado pelo pinto paraibano da cidade de Areia, na Paraíba, Pedro Américo no ano de 1888 a pedido de Joaquim Inácio Ramalho, primeiro e único Barão de Ramalho, jurista, professor e político, foi diretor da Faculdade de Direito de São Paulo entre os anos de 1891 e 1902 quando faleceu; foi ainda fundador do Instituto dos Advogados de São Paulo e presidente da província de Goiás, na época os Estados Brasileiros eram chamados de Províncias.
Em outras palavras, o lindo quadro da independência foi pintado 34 anos depois do ato da independência, ou grito do Ipiranga, não retratando a verdadeira realidade da ocasião, uma vez que é sabido que em setembro de 1822, Dom Pedro estava em viagem ao interior de Sã Paulo com uma comitiva menos pomposa como sugerida pela obra do meu conterrâneo paraibano.
A verdadeira Independência do Brasil tem suas origens por volta de 1806 quando Napoleão Bonaparte, governante francês decretou o Bloqueio Continental, onde as nações do continente europeu estavam “proibidas” de negociar com a ilha da Inglaterra.
Com a proibição, Portugal ficaria impedido de manter relações com os ingleses, fato desobedecido por Dom João VI, rei de Portugal, por manter estreitas relações de amizade, comércio e dependência com os ingleses que, inclusive, mantinham autoridades inglesas em território e postos influentes em Portugal.
Diante da “desobediência” de Dom João e após inúmeros emissários franceses que iam a Portugal para avisar Dom João que suas relações com a Inglaterra não estavam sendo bem vistas por Napoleão, este determinou a invasão do território português para cessar as relações luso-inglesa.
Com a eminente invasão francesa, Dom João no viu outra solução a não ser pedir ajuda aos ingleses, que argumentaram não poder enfrentar as tropa francesas de Napoleão em defesa de Portugal e o que poderia fazer era apenas disponibilizar sua marinha para proteger a Família Real portuguesa em uma fuga para os confins das terras do Brasil, que foi aceito pelo Rei Português.
Vindo para o Brasil em 1808 e para garantir a ligação com as terras lusa na Europa, Dom João eleva o Brasil, que era colônia de Portugal, à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; na época, este “título” não significava muito, mas garantia uma certa dominação da Família de Dom João,os Bragança e Bourbon, sobre as terras portuguesas assim que Napoleão Bonaparte deixasse o governo francês.
O fato é que a vinda da Família Real para o Brasil proporcionou formar uma elite intelectual aqui no Brasil com as melhorias que foram implementadas por Dom João começando com a abertura dos portos às nações amigas, neste caso à Inglaterra, favorecendo a entrada de mercadorias com mais facilidade; começou a instalação de fábricas de manufaturas no Brasil; criou a imprensa régia; criou o Banco do Brasil, o nosso Banco 001; criou a Casa da Moeda; o Jardim Botânico; a Biblioteca Nacional, o Teatro Real e as escolas de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro.
Tais medidas parecem poucas, mas foram de suma importância, uma vez que o Brasil passou a receber mais “atenção” e formação de uma maior consciência quanto aos nacionais brasileiros e às elites não precisavam mais enviar seus filhos para estudarem na Europa.
Passado esta fase de instalação da Família Real no Brasil, tivemos em 1813 a derrota de Napoleão Bonaparte na Batalha de Leipzig, na Alemanha, e sendo exilado na Ilha de Elba onde ele foge e retorna para a França em 1815 e ali forma o seu governo de 100 Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Walterloo em 16 de junho daquele mesmo ano e enviado para a Ilha de Santa Helena.
Derrotado Napoleão na França, o Parlamento português começou a exigir o retorno da Família Real à Europa, o que foi postergado por Dom João VI até 1820 com a Revolução Liberal do Porto, que pretendia destituir os Bragança e Bourbon do Poder em Portugal, caso não houvesse o retorno imediato de TODA A FAMÍLIA PORTUGUESA que vivia no Brasil.
No Brasil, Dom João VI também não vivia bons momentos, pois em Pernambuco estourou a Revolução Pernambucana em 1817 que buscava fundar um outro país no Nordeste do Brasil que se chamaria Confederação do Equador.
Em 26 de abril de 1821, Dom João VI resolve retornar a Portugal levando consigo cerca de quatro mil pessoas, além do ouro e diamantes que estavam nos cofres do Banco do Brasil e deixar aqui seu filho Pedro de Alcântara Francisco João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Brangança e Bourbon como príncipe regente.
Em Portugal, Dom João VI era o rei, mas este estava “subordinado” ao crivo das Cortes, uma instituição que foi criada com a Revolução Liberal do Porto para gerir a ações do rei de Portugal; essas cortes começaram a tomar medidas que foram consideradas impopulares pela elite brasileira, onde tais medidas exigiam a transferência das principais instituições criada no Brasil por Dom João para Portugal, o envio de tropas portuguesas para o Rio e Janeiro e a exigência de que o Príncipe Regente Dom Pedro retornasse de imediato a Portugal.
Em dezembro de 1821, Portugal enviou ao Rio de Janeiro uma ordem exigindo o retorno de Dom Pedro a Portugal e como consequência de tal exigência, surgiu no Rio de Janeiro o Clube da Resistência, que tinha por objetivo apoiar Dom Pedro para que resistisse às determinações das Cortes portuguesa quanto ao seu retorno para e Europa.
Ainda em 1821, com a formação do Exército Brasileiro, tivemos a expulsão das tropas portuguesas que estavam sediadas em Pernambuco e ao mesmo tempo, o Brasil passou a contratar mercenários para compor nosso Exército e a abrir o alistamento de civis para a guerra de independência.
No campo político, o Senado apresentou em janeiro de 1822 um abaixo assinado com mais de 8 mil assinaturas de solidariedade e exigindo a permanência do Príncipe Regente em solo brasileiro.
Assim, em 09 de janeiro de 1822, Dom Pedro declarou: “Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da Nação, estou pronto. Diga ao povo que eu vou ficar”.
Com isso, Dom Pedro começou a formar um governo nomeando José Bonifácio como Ministro do Reino e Negócios Estrangeiros e demitiu o comandante geral português, ordenando que ele e seus soldados deixassem as terras brasileiras; e, em junho assinou o Decreto que convocava eleições para se reunir em Assembleia Geral Legislativa e elaboração de uma Constituição.
Em 28 de agosto, quando Dom Pedro estava em viagem a São Paulo, Dona Leopoldina, que respondei pelo reino na ausência do marido, recebeu de Portugal uma mensagem que exigia o retorno imediato de Dom Pedro e a anulação de seus atos aqui em terras brasileiras.
Ao receber esta ordem, Dona Leopoldina organizou uma Sessão Extraordinária em 2 de setembro e assinou uma declaração de independência e enviou o emissário Paulo Bregaro para se encontrar com Dom Pedro, o que se deu às margens do rio Ipiranga, onde leu todas as notícias que vieram de Portugal e as determinações de Dona Leopoldina e ali foi proclamada a Independência do Brasil.
Proclamada a Independência, Dom Pedro passou a enfrentar resistência no Pará, Bahia, Maranhão e na Província da Cisplatina, atual Uruguai, e como consequência, tivemos o surgimento do Brasil como nação independente, a construção de uma nacionalidade brasileira, o estabelecimento de uma monarquia nas Américas, e, o pior foi o endividamento do Brasil, uma vez que o Brasil teve que pagar uma indenização de 2 milhões de libras a Portugal.
Se a independência foi boa ou ruim cabe a cada um tirar suas conclusões e fazer seu juízo de valor, pois a mim, apenas expus alguns fatos que culminaram com o nosso Feriado da Pátria que se celebra em 7 de setembro.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Gr.˙. 21
07 de setembro de 2022

Muito bom relembrar este momento da história tão significativo a nós brasileiros. Este complicado de ideias sobre o assunto é deveras importante e uma excelente fonte de estudo. Parabéns pela iniciativa.
Um forte abraço. Camila
Irmão Salatiel.
Excelente texto !
Não sabia que Pedro Américo era paraibano, e gostei de ler no texto que a pintura dele independencia ou morte é uma ideia bem mais nobre do que ocorreu na verdade em 1822, mas uma grande obra inspirada na pintura do francês Jean Louis Napoleão em Fridland.
Vale ressaltar que em 1822 nosso irmão D.Pedro tinha por volta de 24 anos, um jovem tomando decisões de relevancia para o futuro dessa nossa terra, é difícil deduzir e analisar hoje, mas acredito que tem muitas ideias dos irmãos (José Bonifácio e Ledo ) nessa história também.
TFA, Jefferson Arantes,