A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

Falar de Páscoa, boa parte das pessoas irão lembrar logo de ovos de chocolates, em especial as crianças, mas essa tradição vem muito antes da existência do chocolate na região do Oriente Médio e da Europa.

Para alguns historiadores, o chocolate surgiu por volta de 4 mil anos atrás na Mesoamérica, ou seja, no que hoje corresponde ao México.

A Páscoa, por sua vez teria surgido no Egito Antigo, mais precisamente quando os hebreus fugiam do cativeiro, onde eram escravizados pelo faraó.

Assim, temos que a palavra páscoa, como a conhecemos, deriva de três idiomas antigos: PESSACH, que vem do hebraico; PASCHA que vem do latim; e, PASKHA que vem do grego.

Neste contexto, para entendermos a Páscoa, temos que levar em consideração três fatores: a Páscoa judaica, a Páscoa cristã e a páscoa do coelho.

Na religião hebraica, Páscoa significa PASSAGEM POR CIMA e as celebrações têm origem no Egito Antigo quando a região foi afetada pelas sete pragas (falarei sobre este tema em um artigo específico no futuro); para os hebreus, que viviam como escravos no Egito, Moisés foi o emissário de Deus para a sua libertação, e, este teria que convencer o faraó e libertar todos os hebreus que eram escravizados, sob pena de serem castigados severamente.

Como o faraó não libertou os hebreus, então o Egito passou a ser assolado por uma série de pragas, quais eram: sangue no Rio Nilo, rãs, insetos, piolhos, morte do gado, úlceras, granizo, gafanhotos, trevas e a morte dos primogênitos egípcios (reafirmo que irei falar sobre este tema no futuro próximo).

Como o faraó não cedeu com as pragas anteriores, veio a última, a morte de seu primogênito, fato que fez o faraó ficar assustado e permitir que os hebreus deixassem o Egito, tendo início ao Êxodo do provo hebreu.

Para tanto, o Torá, livro sagrado dos hebreus, conta que a Páscoa deve ser comemorada no décimo quarto dia do primeiro mês que é chamado de Nissan, sendo esta sempre no início da primavera, pois o Estado de Israel está no Hemisfério Norte e para os países do Hemisfério Sul, a páscoa é comemorada no Equinócio de outono.

Conta a história, que na primeira páscoa, ou seja, nas comemorações de saída do Egito, os hebreus realizaram na noite anterior uma festa onde eles escolheram um cordeiro, para representar o cordeiro pascal, que foi assado e servido como alimento para a família, sendo servido com acompanhamento de pão de ázimo, que não tinha fermento, e ervas amargas.

Ao matarem o cordeiro, pegaram o sangue deste e utilizaram para marcar as casas dos hebreus para que o anjo da morte não viesse buscar seus primogênitos durante a última praga do Egito, sendo este o significado de passar por cima.

Após saírem do Egito, os hebreus continuaram com a comemoração, sendo feito uma reunião familiar neste período, em que os pais aproveitavam para ensinar e contar a seus filhos sobre sua história e tradições.

Para os cristãos, a Páscoa deriva das festividades do judaísmo, apenas tendo significado diferente, pois neste caso, remete a crucificação, morte e ressurreição de Cristo.

Na tradição cristã, o Cristo é enxergado como o Cordeiro de Deus que foi enviado para se oferecer em sacrifício para salvar a humanidade dos pecados.

Após sua crucificação, Cristo ressuscitou no terceiro dia, sendo este fato ocorrido no período da páscoa judaica.

Para nós cristãos, a Páscoa tem sua data definida através do Concílio de Nicéia, que ocorreu nesta cidade em 325 depois de Cristo, onde a Igreja Católica determinou que as comemorações deveriam ocorrer entre os dias 25 de março e 25 de abril, sendo no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio de primavera do hemisfério norte.

Nas comemorações da Igreja Católica, a Páscoa encerra o período chamado de Quaresma, que é marcado por jejuns e promessas que se faz na busca de alcançar ou de agradecer alguma graça alcançada.

Na Quaresma, a última semana é chamada de Semana Santa e tem início como Domingo de Ramos, simbolizando a entrada de Jesus em Jerusalém, a realização da Última Ceia, que teria acontecido na Quinta-feira Santa, a crucificação e morte de Jesus que teria ocorrido na Sexta-feira Santa, e, por fim a ressurreição de Cristo, que teria ocorrido no Domingo de Páscoa.

Já para falar da Páscoa grega, antes temos que falar do surgimento da Igreja Ortodoxa Grega. Esta surgiu por volta de 1054 depois de Cristo, quando a Igreja Católica foi dividida em duas ordens: a Igreja Católica Apostólica Romana, com sede em Roma e sua autoridade centrada no Papa, e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa com autoridade centrada no Patriarca e sede na cidade de Constantinopla.

As diferenças das duas igrejas estão meramente relacionadas a sua autoridade, pois na liturgia não muda quase nada.

A crise na Igreja Romana já vinha se acentuando há alguns séculos, tanto que esta passou a ter duas autoridades máximas (Papa), um em Roma e outra em Constantinopla.

Por volta de 1043, a Igreja de Constantinopla elegeu Miguel Cerulário para ser Patriarca e este começou a não cumprir as determinações vindas de Roma, fato que fez com que o Papa de Roma mandasse emissários para Constantinopla a fim de demover Cerulário da liderança da Igreja na região.

Ocorre que Cerulário não só se manteve firme, como também excomungou o Papa de Roma e suas determinações, fazendo com que este fizesse o mesmo e excomungasse o Patriarca de Constantinopla.

Com isso surgia o chamado Cisma do Oriente, ou seja, o racha entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, surgindo essas duas Igrejas semelhantes, onde a segunda passou a vigorar mais nos países do chamado leste europeu, como Grécia e Rússia, notadamente.

Neste sentindo, a Páscoa dos gregos tem a mesma simbologia e liturgia da Páscoa Cristã, porém com considerações de períodos diferentes.

Para os católicos romanos, uma grande data seria o Natal, nascimento do Cristo; já para os ortodoxos, esta grande data seria a Páscoa, onde teria sido a ressurreição do Cristo e o seu verdadeiro nascimento como Salvador.

Nesta data, os gregos Ortodoxos como um todo, buscam realizar suas celebrações com muito fervor religioso, tradição, um cardápio de comidas exclusivas e a prática de se pintar ovos de galinhas de vermelho, estes como símbolo da fertilidade; onde tudo isso simboliza o sentido de renovação e ressurgimento na esperança de dias melhores.

Para os Ortodoxos, a Quaresma começa na segunda-feira e não na Quarta-feira de Cinzas, e neste dia, deve ser marcado por encontros familiares e de amigos, assim como de atividades ao ar livre, devendo abster de comer carnes, peixe, ovos e laticínios.

O período de jejuns dura 49 dias que antecede o Domingo de Páscoa que é o dia da ressurreição ou ressurgimento.

Para finalizar, acredita-se que os ovos de chocolate foram introduzidos na cultural cristã por volta do século XVIII na França, onde se incorporou tradições da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa de pintar ovos de galinha como também em tradições de povos das regiões onde hoje é a Alemanha, e com isso, os franceses tiveram a ideia de ao invés de pintar ovos de galinha e presentear seus entes queridos, passaram a fabricar ovos de chocolate e embrulhá-los em papel colorido simbolizando a Páscoa.

Mas de onde vem a ideia de “OVOS DO COELHO DA PÁSCOA”?

Não há uma resposta lógica, uma vez que coelho não colocam ovos; mas a teoria mais lógica vem do fato de que nas antigas sociedades o ovo era símbolo de fertilidade e como os coelhos também tem uma enorme taxa de fertilidade, acredita-se que houve uma junção dessas duas crenças e assim teria surgido o Coelho da Páscoa que distribui ovos de chocolate.

Se é verdade? Eu não sei, mas a tradição tem continuado e como falei no início deste texto, muitas pessoas, em especial as crianças, associam Páscoa com ovos de chocolate.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Bacharel em Direito e em História com Pós-graduação em História do Brasil

Gr.˙. 19

17 de abril de 2022

Este post tem um comentário

  1. Edinaldo Soares da Silva Pereira

    Grande Irmão Salatiel, trazendo para todos conteúdos de suma importância e colocando luzes para iluminar nossos conhecimentos. Parabéns e que o GADU te abençoe e te ilumine sempre.
    Edinaldo Soares da Silva Pereira
    M.: M.:

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