VLADIMIR PUTIN E A INSENSATEZ DAS GUERRAS

No dicionário, Guerra é descrita como “luta armada entre nações, entre etnias diferentes com o fim de impor supremacia ou salvaguardar materiais ou ideologia”.

E, do ponto de vista da minha ignorância e pouco conhecimento, defino guerra como a falta de sensatez do ser humano; e, se formos analisar os principais conflitos ao longo da nossa história, enquanto humanidade, iremos perceber que a grande maioria dos conflitos armados foram causados pela falta de sensatez dos líderes de cada uma das nações envolvidas.

Se formos nos ater aos principais conflitos que aconteceram, desde a Grécia Antiga aos dias atuais, iremos nos deparamos com justificativas mais sem sentidos que nos fará pensar que os grandes homens que governavam os países agressores, nada mais eram, ou são, que apenas amebas, seres sem massa cinzenta, cérebro.

Nessa toada, temos como ponto de partida a famosa Guerra de Tróia, que todos nós aprendemos nos primeiros anos de vida escolar. No caso dessa Guerra que durou de 1250 a 1240 a.C., teve como ponto de partida o rapto da princesa Helena de Tróia, esposa de Menelau, rei de Esparta.

Conta nossos livros de História que o príncipe Páris em visita à casa de Menelau, havia se encantado com a beleza de Helena e que como Menelau teve que se ausentar para comandar seus exércitos, pasmem, em uma guerra interna, Páris ficou como responsável pelo palácio de Menelau, e, se aproveitando da situação e oportunidade, resolveu raptar Helena e levá-la para sua terra, Tróia.

Ao retornar a Esparta e tomar conhecimento do rapto de sua esposa, Menelau mandou emissários a Tróia para que Helena fosse devolvida; após as negativas de Tróia, Menelau reuni seu exército e rumou para Tróia, não para resgatar Helena, mas para “lavar” sua alma e sua honra, uma vez que teve sua esposa raptada.

Como se pode ver, após as negativas de Tróia, Menelau deflagrou a Guerra, apenas para resgatar sua moral ofendida, deixando de lado até mesmo que a sua bela esposa havia sido raptada, mas que Páris deveria pagar por sua audácia.

Ao final de 10 anos de conflito, muitos soldados mortos de ambos os lados e o presente em forma de cavalo de madeira gigantesco, dado aos troianos pelos gregos, tivemos o fim da guerra e também o bom e velho ditado para presentes ruins “presente de grego”.

Dando um salto no tempo, temos As Cruzadas, que teve início em 1096 e terminada com a Nona Cruzada em 1291.

Nestes quase 100 anos de Cruzadas, tivemos o “patrocínio” dos reis europeus e notadamente da Igreja Católica que forneciam homens, dinheiros, armas e cavalos para que os “cruzados”, como eram chamados os soldados, defendessem a Terra Santa dos “infiéis” muçulmanos bem como fosse garantido a proteção dos católicos que peregrinavam até a Terra Santa.

Mas a insensatez das Cruzadas não foi só o argumento de resgatar a Terra Santa dos “infiéis” muçulmanos, a maior carnificina, se deu na Quinta Cruzada, onde os “líderes” políticos e religiosos da época chegaram à conclusão de que as quatro Cruzadas anteriores haviam fracassadas por terem sido compostas por adultos “pecadores” e que para se obter sucesso, teria que haver uma Cruzada de pessoas que não haviam pecado ainda, ou seja, as crianças.

Assim, entre 1217 e 1221, realizou-se a Quinta Cruzada ou Cruzada das Crianças que reuniu algo em torno de 50 mil crianças que pegaram em armas e rumaram da Europa em direção a Jerusalém.

Os resultados foram os imaginados, na atualidade, quase nenhuma criança voltou para casa pois a grande maioria morreu no conflito, outras poucas foram escravizadas.

Como brasileiro, não poderia deixar de lado nosso lado insensato também, pois em 1864, o Brasil Imperial não concordando com as medidas adotadas pelo Uruguai, resolveu intervi naquele país e depor o ditador uruguaio Aguirre.

Diante de tal situação e por ser aliado de Aguirre, o governante paraguaio Francisco Solano Lopez, resolveu aprisionar o navio brasileiro Marquês de Olinda. Com isso, passou a haver conflitos pontuais entre brasileiros e paraguaios.

Com a intensificação dos conflitos e o Paraguaia atacando parte da Argentina, em 1865, formou-se a chamada Tríplice Aliança, formada pode Argentina, Brasil e Uruguai para guerrear contra o Paraguai.

Do lado brasileiro, tivemos o governo oferecendo indenizações aos senhores proprietários de escravos para que estes fossem para a guerra, uma vez que a elite não permitia que seus filhos fossem para morrer e o escravo que voltasse vivo da guerra seria livre.

Do lado paraguaio, tivemos crianças sendo obrigadas a ir para o conflito armado e após o fim do conflito em 1870 ocasionou um problema para aquele país que saiu da guerra derrotado e com a população masculina quase que dizimada, só retornando a níveis normais por volta dos anos 1990.

Passando ao século XX, tivemos dois destaques que foram a Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

No caso da Primeira Guerra Mundial, tivemos como ponto de partida o fatiamento da Ásia e da África no século XIX, onde as potências imperialistas europeias deixaram de lado países que estavam em franco crescimento, notadamente a Alemanha e a Itália.

Este fato fez com que a Alemanha invadisse e tomasse da França o território da Alsácia-Lorena; mas o estopim para o início do conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do Império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina).

Nas investigações, o Império austro-húngaro não aceitou o resultado das investigações e declarou guerra à Sérvia em 28 de junho de 1914.

Já a Segunda Guerra Mundial, pode ser considerada como uma continuação da Primeira Guerra, uma vez que ao fim desta, foi criada a Liga das Nações, que tinha por finalidade evitar que os países adotassem políticas armamentistas em seus territórios.

Como não conseguiu manter esta política na Europa, tendo a Alemanha ganho poder armamentista no governo do premier Adolf Hitler e sua política expansionista e de perseguição a minorias étnicas e raciais.

No atual século, temos que destacar dois conflitos: a Guerra do Iraque (2003 a 2010) e a invasão russa da Ucrânia nesses dias tenebrosos.

No Iraque, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, argumentava que o país, comandado por Saddam Hussein de 1979 à 2003, possuía armas nucleares de destruição em massa e que estava se organizando para usá-las contra minorias iraquianas.

As verdades sobre os argumentos do presidente americano caíram por terra ao final do conflito, uma vez que nunca se encontraram tais armas nos sete anos em que o exército americano ficou naquele país.

É bom lembrar que em 1990 os Estados Unidos eram presididos por George H. Bush, pai do George W. Bush que presidia os Estados Unidos em 2003 e que o Iraque, naquele ano de 1990 havia invadido o Kuwait, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, na época.

Como represália a esta invasão, o presidente George H. Bush deflagrou a operação Tempestade no Deserto, que tinha por objetivo, expulsar o Iraque do Kuwait e retirar Saddam Hussein do poder.

Depois de seis meses de conflito, os iraquianos saíram do Iraque, mas George H. Bush não conseguiu tirar Saddam Hussein do poder no Iraque, ficando tal empreitada para seu filho George W. Bush, que sempre falou não ter aceito que seu pai retirou as tropas do Kuwait sem tirar Saddam do poder.

Como saldo dessa segunda empreitada dos Estados Unidos no Iraque, há estimativas de mais de 600 mil pessoas mortas entre americanos e iraquianos.

Por fim, temos o atual conflito na Ucrânia, onde as justificativas do presidente Vladimir Putin é de que a Ucrânia está massacrando populações de minorias russas nas regiões da Criméia, sob domínio russo desde 2014, bem como as regiões de Donestsk e Luhansk, sob domínio da Ucrânia e que lutam por sua independência.

Para tanto, a Rússia “exige” o reconhecimento da independência dessas três regiões, o que não foi atendido pelo governo ucraniano de Volodymyr Zelensky.

Porém, a realidade das pretensões russas na Ucrânia estão um pouco além desses argumentos, pois se olharmos as pretensões da Ucrânia e o Mapa Mundi com atenção iremos perceber três fatores que fazem da Ucrânia um ponto estratégico para a Rússia.

O primeiro ponto que destaco é que a Ucrânia, juntamente com a Belarus e Letônia, são os três países que separam a Rússia da Europa Ocidental, e mais ainda, a Ucrânia possui quase cinquenta por cento desta fronteira que separa a Rússia da parte da Europa.

O segundo ponto é que a Ucrânia tem posição estratégica no Mar Negro, que tem saída direta para o Mar Mediterrâneo e consequentemente para o Oceano Atlântico, com vários portos de destaque para escoamento das importações da Belarus, Ucrânia e Rússia. Essa posição faz da Ucrânia um território “invejado” para quem tem pretensões imperialistas e acima de tudo de restauração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, como tem o presidente Vladimir Putin.

Em terceiro lugar e mais importante ainda, é o fato que nos últimos anos e em especial no governo de Volodymyr Zelensky, a Ucrânia se aproximou muito da União Europeia, inclusive com pedido claro para integrar o bloco econômico europeu.

Ao integrar a União Europeia, a Ucrânia não só se afasta de vez da Rússia, como também passa a fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aliança militar do Ocidente contra a Rússia.

Assim, a Rússia passaria a ficar em uma situação meio que isolada da Europa Ocidental, perdendo, tanto uma passagem por terra, como a passagem pelo Mar Negro.

Como mostrado acima, os motivos para a invasão russa na Ucrânia têm motivos claros para a Rússia, e para conseguir seus objetivos, o governo de Vladimir Putin não poupa vidas, nem dos russos, nem dos ucranianos.

Como visto nos conflitos acima citados, em todos eles, os governos eivados de ambições próprias, colocam em risco a vida de seus nacionais e de outras nações sem levar em conta os fatores e as consequências que tais aventuras militares podem trazer para seu povo.

No atual conflito, vemos tanto os ucranianos como os russos sofrendo as consequências.

No caso dos ucranianos, temos mortes, destruição e êxodo; por sua vez, na Rússia, temos mortes e agora a sociedade começa a sofrer as consequências econômicas das sanções que estão sendo impostas pelas demais potências.

As pessoas que mais sofrem não têm o menor interesse no conflito e são apenas instrumentalizados pelos líderes de suas Nações, fato que sempre foi real em todos os conflitos na História da humanidade.

Diante de tanta insensatez, temos pais, mães, esposas, filhos que choram e choraram a perda de seus familiares nesses conflitos que eles não pediram para está presente e muito menos foram eles os causadores de tanta falta de humanidade por parte daqueles que representam seus países como dirigentes máximos.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Bacharel em Direito e em História com Pós-Graduação em História do Brasil

Gr.˙. 18

04 de março de 2022

Este post tem um comentário

  1. Saul

    Art. 5º, IV, CF: “é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato”

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