A ILUSÃO QUE CRIAMOS NO DIA A DIA

Você já leu “Um Conto de Natal” de Charles Dickens (1812-1870)?

Este conto já foi adaptado inúmeras vezes para o cinema e até em desenhos animados. Conta a história de Ebenezer Scrooge, um velho ganancioso e sem compaixão que, na noite de Natal, é visitado pelo fantasma de seu ex-sócio, Marley, morto há sete anos, que diz não poder descansar em paz já que não foi generoso durante toda sua vida. Dessa forma, Marley tenta fazer com que Scrooge não sofra a mesma lástima e diz a ele que, naquela noite, três espíritos o visitarão: o Espírito dos Natais Passados, o do Natal Presente e o dos Natais Futuros.

Pois bem, o que passo a narrar agora não é propriamente a história de Dickens, mas a minha história de como eu vivia, não só os natais, mas o ano todo.

Até por volta de 2017 eu era a típica pessoa feliz

Durante o ano vivia em festas, visitando pessoas em jantares, recebendo pessoas em minha casa para jantares e noites de finais de semanas regadas a vinho.

Viajava, seja a laser ou a trabalho.

No período de fim de ano, era o momento de congraçamento, de ir para festas de final de ano, para ver a virada do ano de forma diferente.

Dezembro era o mês dedicado ao bom velhinho (assim mesmo com letras minúsculas) gordo, obeso para ser mais justo e sincero, de imaginar o que daria de presente para alguém e o que possivelmente eu iria receber de alguém.

Participar dos famosos “amigos secretos”, que de secretos não tinha nada e de amigos também não tinha.

Eu era o verdadeiro cara que acabará de almoçar e estava com a “barriga vazia”, como se diz no meu interior onde nasci.

A partir de 2018 minha vida deu uma virada, que lhes garanto que foi mais que 360° duas vezes.

Vinhos não mais existiam, jantares só em casa 

As festas, só quando eu me sentia bem comigo mesmo; isso sim era motivo de festejar.

E as viagens que dantes eram comuns, em 2018, conseguir viajar era sair de casa e ir ao centro da cidade e voltar.

A simples e tarefa de lavar e polir meu carro passou a ser um sufoco, dado o vazio preponderante que reinava.

Aos poucos, ainda em 2018 e seguintes, o bom velhinho passou a não mais existir, os presentes a serem escolhidos passou a ser raro; e os amigos, a esses sim, passaram a ser verdadeiramente SECRETOS, tão secretos que não os via bem sabia que eram.

Então a partir de 2020 em dia, eu percebi, tal qual o texto “Decidi Triunfar”, de Walt Disney que eu resolvi não mais ver o mundo, mas enxergar o mundo.

Enxerguei que minha visão do que era certo ou errado não estava em atender aos ansiosa dos outros, mas ansiar por mim mesmo para agradar a mim.

Enxerguei que ver o mundo ao meu redor eram muito mais do que meus olhos podiam ver; enxerguei que o mundo que eu queria ver com meus olhos estava dentro do meu coração.

Enxerguei que a felicidade não era as festas e jantares regadas a vinho, as viagens e as pretensões de presentes baseados no Bom Velhinho.

Enxerguei que essas coisas são supérfluas e que são passageiras, especialmente no mundo de hoje tão midiático que a realidade vivida é aquela virtual e as amizades se fazem por meio de um aparelho eletrônico.

Elogiar alguém hoje de forma pessoal corre o risco de ouvir como resposta um “você finge que não falou isso e eu finjo que não escutei”.

Mas essas mesmas pessoas querem que você vá lá na r de social dela de “curta” suas fotos, seus comentários todos s sentidos.

Hoje meus dias e anos se restringem a amizades que eu contaria nos dedos de uma mão e ainda sobra dedos.

Mas essas amizades tem um quê a mais, tem qualidade e não só quantidade.

Eu enxerguei que nada vale eu ter 2 mil pessoas em cada rede social, se essas pessoas não existem mundo real, então eu enxerguei que as que tenho, conto nos dedos da mão esquerda para mantê-los perto do coração, dado a sua QUALIDADE.

E o bom velhinho?

Pura ilusão para vender mais.

Hoje eu enxergo que o natal é muito mais que isso e que antes do bom velhinho, existe O JOVEM PREGADOR, que é o sinônimo maior do Natal que deve está presente em nossos lares para, de fato, transformar nossos corações para enxergarmos as reais pessoas que estão ao nosso lado, pois a tecnologia nos aproximou de pessoas distantes, mas nos distanciou das pessoas que estão perto de nós, uma vez que falamos com pessoas até de outros países em momento instantâneo, e esquecemos de pessoas que estão ao nosso lado naquele momento.

E foi assim que descobri que o melhor jantar que posso ter não são aqueles de fins de semanas, mas os que faço todas as noites na companhia que sempre estará ao meu lado. E, se serve de conselho, eu lhes digo que ostentar para os outros pagamos um preço alto e este preço mais cedo ou mais tarde vem a ser cobrado.

Espero que eu já tenha pago este preço por esta vida.

Se hoje eu trocaria minha vida para voltar ao que era antes? A resposta é NAO!

Se eu acho ruim o que passei para ter essa visão de hoje? A resposta também é NAO! Pois foi por causa disso que hoje eu aprendi e posso está escrevendo esse texto.

Assim, pare e faça uma reflexão do que é o natal para você e qual o real significado desta data.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Bacharel em Direito e em História com Pós-Graduação em História do Brasil

Gr.˙. 17

16 de janeiro de 2022

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