Entre 1992 e 1995 ocorre a chamada GUERRA DA BÓSNIA, um conflito étnico-religioso em um território de aproximadamente 51.197 km² e uma população de 4,234 milhões de habitantes, segundo o site de informações Wikipédia, com uma média de 8.300 habitantes por km².
Nesta Guerra, ganhou destaque o então líder político da região Radovan Karadžić, que segundo agências internacionais, foi responsável pela morte de mais de 100 mil pessoas durante o conflito em mais de 3 anos.
Devido a sua atuação como líder político, mandando e desmandando na região, recebeu o “singelo” apelido de CARNICEIRO DOS BALCÃS; e, por sua atuação como líder no conflito, este foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional no dia 18 de março de 2016 a uma pena de mais de 40 anos de prisão pelos crimes de Genocídio, Limpeza étnica, Tortura, Estupro, Sequestro e Terrorismo de mais de 7 mil muçulmanos durante o conflito acima mencionado; ao recorrer da sentença, teve sua pena reconsiderada e este foi condenado a prisão perpétua.
Em termos históricos, as ações do governante sérvio foram consideradas graves e até como crimes de guerra, fato que o fez fugir e viver escondido e disfarçado de guru por um bom tempo na Sérvia em Belgrado, até ser capturado em 21 de julho de 2008.
Atualmente, Radovan Karadžić cumpre sua pena em uma prisão de Haia na Holanda.
Pois bem, não é de se estranhar os termos que temos visto na mídia quanto a luta que os governos federal, estaduais e municipais tem travado contra a Covid-19; o mais utilizado, a meu ver, tem sido “A GUERRA CONTRA A COVID-19”.
Se formos pegarmos, EM TERMOS DE NÚMEROS COMPARATIVOS, teremos as seguintes situações no nosso Brasil de meu Deus, utilizando dados do Ministério da Saúde.
Nosso país tem uma extensão territorial de 8.516.000 km², com uma população 214.357.871 habitantes e uma densidade demográfica de 28,3 habitantes por km².
No Brasil como um todo, em 01 de maio de 2021, temos um total de 403.781 óbitos, só por Covid-19.
Neste cenário, o Brasil tem quase 4 vezes o total de mortes da Guerra na Bósnia, lembro que são números APENAS DE CONVID-19, sem está no somatório as mortes por outras causas.
Fragmentando esse número de óbito por Estados, temos: São Paulo 96.191; Rio de Janeiro 44.406; Minas Gerais 33.699; Rio Grande do Sul 24.951; Paraná 22.937; Bahia 18.477; Ceará 17.418; Goiás 15.000; Pernambuco 14.038; Santa Catarina 13.534; Pará 12.981; Amazonas 12.627; Mato Grosso 9.613; Espírito Santo 9.517; Distrito Federal; Maranhão 7.276; Paraíba 6.796; Mato Grosso do Sul 5.718; Rio Grande do Norte 5.460; Rondônia 5.163; Piauí 5.101; Sergipe 4.274; Alagoas 4220; Tocantins 2.543; Amapá 1.543; Acre 1.529 e Roraima 1.508. (*)
Se tomarmos como exemplo os números de Radovan Karadžić, ele foi apontado por ter causado a morte de mais de 100 mil pessoas e para sua condenação, foram “computadas” apenas a morte de mais 7 mil muçulmanos, minoria étnico-religiosa na região.
Esquecendo os Estados que tem menos de 7 mil mortes por Covid-19 teremos o seguinte mapa: São Paulo 96.191; Rio de Janeiro 44.406; Minas Gerais 33.699; Rio Grande do Sul 24.951; Paraná 22.937; Bahia 18.477; Ceará 17.418; Goiás 15.000; Pernambuco 14.038; Santa Catarina 13.534; Pará 12.981; Amazonas 12.627; Mato Grosso 9.613; Espírito Santo 9.517; Distrito Federal e Maranhão 7.276, ou seja, temos 16 Estados do Brasil que superam as mortes e crimes atribuídas ao líder sérvio.
Ao vermos esses números, ficamos e agimos de forma normal, como se fosse UM MERO ACONTECIMENTO CORRIQUEIRO, mas não é.
Em conversa com um conhecido, ainda em 2020, este me falou que “A MORTE É UMA COISA NATURAL, TODOS OS ANOS MORREM PESSOAS E MAIS PESSOAS, SEJAM 80 MIL, 100 MIL; ENTÃO AS MORTES DA COVID-19 SÃO NORMAIS”.
Eu, particularmente, discordo deste tipo de pensamento, pelo simples fato de que, se nossos governantes e a sociedade tivessem tomados e cumprido as medidas necessárias e corretas, talvez não teríamos mais de 400 mil mortes só por Covid-19.
Não teríamos tido os absurdos de uma família enterrar duas pessoas ao mesmo tempo, ou mesmo não teríamos tido casos em que uma família enterrou um ente e dois dia depois estava enterrando outro, sem ao menos ter passado o luto do ente anterior.
Mas só para termo uma ideia da devassidão dos números de mortes por Covid-19 no Brasil tomemos como exemplo três dos conflitos mais marcantes no Oriente Médio: Guerra do Afeganistão de 2001 a 2015 teve cerca de 149 mil mortes; Guerra do Iraque de 2003 a 2011 teve cerca de 174 mil mortes; e, Guerra da Síria de 2011 à atualidade com cerda de 380 mil mortes.
Como podemos ver, o número de mortes no Brasil, só por Covid-19 ultrapassa o de mortes nos conflitos da atualidade, e, se formos olhar a luz dos números, seja por Estados ou a União e até mesmo em algumas cidades, teremos muitos carniceiros pelo Brasil, superando os número do Radovan Karadžić, onde cada um busca adotar medidas de enfrentamento da Covid-19 que se mostram ineficazes; isso não sou eu que estou dizendo, são os números, se comparados aos conflitos mencionados.
Vale lembrar também, que a culpa por tais números, não é exclusividade dos nossos governantes, é também culpa da população.
Não é necessário assistir um jornal televisivo, basta uma rápida olhada nos partais de notícias mais confiáveis e veremos manchetes noticiando a atuação das Polícias Militares nos mais variados Estados e cidades fechando festas clandestinas com aglomeração de até 300 pessoas, ou mais.
Temos ainda, aquelas festas que as polícias não conseguem tomar conhecimento e também e mais corriqueiro, os casos de aglomerações em vias e locais públicos que as autoridades policiais ficam de mãos atadas sem poder fazer nada.
Nos países mais civilizados e com uma população mais consciente, a Covid-19 fez e vai continuar fazendo suas vítimas, mas em números bem mais modesto, se comparados aos do Brasil.
Precisamos que haja uma verdadeira União entre Governo Federal e seus entes, Estados e seus entes, municípios e seus entes, bem como toda a população do Brasil no combate a proliferação do virus, caso contrário teremos um quadro em que chegaremos aos 500 mil, 600 mil e até muito mais mortes com famílias chorando por seus entes.
Não esperemos que a morte por Covid-19 atinja nossa família para podermos nos conscientizarmos.
Não sejam, como comparado acima ao líder sérvio Radovan Karadžić, que sejamos lembrados e comparados com aqueles que lutaram e deram sua contribuição para diminuir as contaminações e consequente mortes em nosso País.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Bacharel em Direito e em História com Pós-Graduação em História do Brasil
Gr.˙. 17
01 de Maio de 2021
(*) https://covid.saude.gov.br/
