Antes de adentrar na questão da atualidade, temos que entender que os conflitos atuais entre Israel e Palestina remontam há muito tempo e que gira em torno de questões religiosas e territoriais e que o viés de terrorismo só veio a ser assim considerado no final do século XX com a disseminação do modelo armamentista pós-Segunda Guerra Mundial, em especial com a chamada bipolarização entra Estados Unidos e a União das República Socialista Soviética.
Os conflitos terroristas da atualidade têm início por volta de 1948 quando as potências imperialistas patrocinam e apoiam o povo judeu para a criação do Estado de Israel, ocupando a faixa territorial que é hoje. Ocorre que a região onde hoje fica Israel é um território onde tem marco essencial para três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e Islamismo.
A explicação do domínio de cada uma dessas três religiões estão, respectivamente, no Torá, Bíblia e Alcorão, sem contar que não devemos desprezar as evidências arqueológicas, que é através destas que se tem escrito as História desses povos.
Se formos pegar os Livros Sagrados acima citados, temos que Abraão, seria descente dos judeus antigo, vivendo na Mesopotâmia, hoje territórios do Irã e do Iraque e que tem suas raízes nas Escrituras Sagradas.
Conta as escrituras sagradas que Abraão teria recebido a promessa de ocupara a Terra de Canaã, onde hoje fica parte da Faixa de Gaza e Israel. Ocorre que os descendentes de Abraão formaram as Doze Tribos de Israel que foram presos e viveram cativos no Egito até serem libertados por Moisés na sua viagem de 40 anos no deserto e voltando para a região com a abertura do Mar Vermelho e recebendo a Lei das Doze Tábuas de Deus, voltando para o território que hoje é Israel, e aí começa a surgir as diferenças entre eles e essas tribos.
Inicialmente, Abraão não teria tido filho com sua esposa Sara, e com isso obteve permissão para ter relações com uma escrava chamada Agar.
Ao ter um filho com Agar, Abraão também conseguiu engravidar sua esposa Sara, e, com isso ele resolveu levar sua escrava e também uma espécie de esposa, com seu filho Ismael para a região da Arábia, hoje território dos muçulmanos.
Os descendentes de Abraão e Sara irão permanecer na Judeia e dá origem ao povo judeu, já os descendentes de Abraão e Agar, irão dá origem ao povo muçulmano na Arábia, em que os judeus irão seguir a religião judaica e os muçulmanos irão seguir religiões politeístas até por volta de 622 da era Cristã quando Maomé ou Mahamed, funda o Islamismo que passa a ser a religião oficial dos povos muçulmanos.
Do ramo de Abraão e Sara, forma-se as Doze Tribos de Israel que se estabeleceram na região e tiveram reis notáveis como Salomão, tendo Salomão construído o famoso Templo que leva seu nome.
Após certo período, o Reino de Israel se dividiu entre suas Tribos e uma parte forma o reino de Israel com capital em Sam Maria e a outra parte formando o reino de Judá com capital em Jerusalém, formando assim o nome do povo judeu e da religião judaica.
Por volta de 701 a. C., os assírios, povos oriundos do que hoje é parte do Iraque e Turquia, conquistaram o Reino de Israel, só sobrando o Reino de Judá que foi conquistado pelo Babilônicos por volta de 597 a. C. tendo estes destruído o Templo de Salomão, levando os Judeus cativos para a Babilônia e só sendo libertados por volta de 538 a. C., quando Ciro assumiu o Império Persa.
Nessa libertação por Ciro, segundo as Escrituras Sagradas, os judeus construíram o Segundo Templo de Salomão, tendo encerrado o chamado Velho Testamento e iniciado o Novo Testamento da Bíblia.
Mas a própria Bíblia e o Torá falam em certas partes que o Novo Testamento tem início quando os judeus expulsam os gregos, na revolta dos Macabeus e, 167 a. C., que viviam profano o Templo de Salomão, o segundo.
Na região há ainda os filisteus que vão dá origem a Davi, aquele que matou o gigante Golias com uma pedra; e são esses descentes de Davi que irão formar o povo palestino.
Dando um salto para não ficar muito longo, a região foi dominada pelos Romanos durante o Império Romano, que formou a Província de Judá.
Por volta de 33 da era Cristã, os judeus ficaram revoltados com os romanos pela morte de Jesus e tentaram expulsá-los de lá, fazendo com que os exércitos romanos invadissem a província de Judá e destruíssem tudo que encontravam pelo caminho, inclusive o Segundo Templo de Salomão que hoje, dele, existe apenas uma parte de um muro que para os judeus é sagrado e chamado Muro das Lamentações.
Ao tomarem o poder, os romanos mudaram o nome de Judeia para Palestina, pois era como os gregos chamavam a região até serem expulsos na revolta dos Macabeus (já mencionada acima).
Com o domínio absoluto dos romanos sobra a região, muitos dos judeus se espalharam por todo o território que hoje é a Europa e parte do Oriente Médio, Ásia e inclusive alguns vieram para as Américas no período colonial, uns sendo levados como escravos, outros que fugiram para regiões mais distantes dos romanos.
Com a queda do Império Romano, por volta de 496 da era cristã, os muçulmanos, aqueles descendentes de Abraão e Agar, ocuparam a região; nesse período, começa também na Europa um movimento da Igreja Católica para dominação da região que antes era o Império Romano, pois esta “se considerava como herdeira” do espólio de Roma, tanto que sua sede é em Roma.
Como forma de se consolidar, a Igreja de Roma passou a adotar o chamado Tribunal da Inquisição, onde muitos judeus e muçulmanos (islâmicos) foram perseguidos e condenados à morte na fogueira por professarem outra religião, que não o Cristianismo.
Com tanta perseguição, eles só tinham duas opções, ou se convertiam ao Cristianismo ou iam embora da Europa, o que fez com que muitos judeus retornassem para a terra que antes era os Reinos de Judá e de Israel.
Só que ao retornarem para a região, os muçulmanos (islâmicos) já estavam lá, pois a região era dominada pelos Turcos Otomanos, que não eram árabes, mas apenas praticavam a religião islâmica, tal qual os árabes palestinos.
Como os judeus viviam espalhados por todo o mundo, por volta de 1896 começou um movimento chamado de SIONISMO, que faz referência a Sião, um dos antigos nomes de Israel; esse movimento sionista, tinha por objetivo conseguir e conquistar uma região para que o povo judeu pudesse viver, ter seu território próprio e praticar sua religião livremente e sem influência de outro povo ou outra religião.
Ao saberem das ideias dos judeus, os Otomanos não gostaram de saber que eles queriam um país para eles e sua “independência”; assim como também os muçulmanos não estavam contentes com a dominação otomana na região; quase que paralelo a isso, começa os movimentos para a eclosão da Primeira Guerra Mundial, e, os Otomanos se aliam aos alemães, para poder manter hegemonia na região e sobre os dois povos.
Em paralelo, a Inglaterra, adversária do Império Otomano, busca ajuda dos judeus para vencer os otomanos e lhes prometer lutar para que eles tenham seu país, sua pátria e seu território; não sendo besta, a Inglaterra prometeu a mesma coisa para os muçulmanos em troca do apoio deles.
Com a vitória do lado inglês, as terras que eram do Império Otomano passou a ser dominada por Inglaterra e França e a Turquia seria dividida entra o Império Russo e a Itália.
A Inglaterra que ficou com mais partes do que hoje é o Iraque e o Irã, passou gradativamente a conceder total liberdade para os islâmicos dessas regiões; com isso, os ingleses passaram a apoiar os judeus para que eles tivessem um Estado onde eram as antigas terras de Canaã, àquela que fora prometida a Abraão, segundo as Escrituras Sagradas.
Com a adesão dos ingleses pela criação de um Estado judaico, os islâmicos, que haviam ajudado os ingleses a expulsar os otomanos, não ficaram nada felizes com a ideia de se ter um Estado judaico, e com isso os islâmicos que faziam uma leitura mais acirrada e ferrenho do Alcorão, passaram a praticar agressões contra judeus na região.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e as perseguições do Hitler contra judeus, muitos deles passaram a fugir da Europa para a região da Palestina, em busca do seu tão sonhado Estado judaico.
Com isso, os palestinos começaram a ver a terra que eles viviam receber cada vez mais judeus; para tentar evitar mais conflitos, a Inglaterra, que ainda mantinha certo controle sobre a região de Israel, passou a controlar a imigração de judeus, o que aumento mais ainda a insatisfação dos palestinos, que viam com isso um “favorecimento” inglês aos judeus em detrimento dos palestinos.
Com as praticas de Hitler contra judeus na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, aumentou o clamor mundial para solucionar a questão judaica e reconhecer um Estado para eles, sendo que em paralelo, a Inglaterra viu que não tinha como solucionar os pequenos conflitos que existiam na região e resolveram sair da Palestina e deixar o território sob domínio de ninguém, e aconselhando que a Organização das Nações Unidas, recém criada, deveria solucionar o problema na região.
Como forma de solucionar a questão territorial na região, a Organização das Nações Unidas achou por bem dividir a região que era a Palestina em dois Estados, um para os Judeus e outro para os palestinos (islâmicos muçulmanos) e, que a divisão deveria obedecer ao critério de maior população de cada um dos povos e que Jerusalém seria um território neutro.
Os judeus concordaram, mas os muçulmanos não aceitaram e com isso começou um conflito entre os dois povos na chamada Guerra da Independência de Israel, que resultou na criação do Estado de Israel em 1948, quando foi criado o tão sonhado Estado judaico, com aval da Organização das Nações Unidas; aqui vale lembrar que nessa guerra, mais de 750 mil palestinos foram deslocados e expulsos de suas terras e estas ocupadas pelos judeus.
Com a declaração de independência e a criação do Estado de Israel em 1948, os países muçulmanos (Irã, Iraque, Síria, Palestina e Arábia Saudita) resolveram fazer uma ofensiva contra Israel e atacar o território por todos os lados, fazendo surgir a Guerra Árabe-Israelense.
Como consequência dessa Guerra, Israel, que saiu vencedor, conseguiu aumentar seu território, enquanto o Egito ficou com a Faixa de Gaza, um território incrustado em Israel; já a Jordânia ficou com a Cisjordânia.
O resultado foi que muitos palestinos começaram a ser expulso das terras que agora pertencia a Israel, e os judeus que viviam em países muçulmanos, comeram a ser expulso desses territórios, retornando para Israel.
Em 1967 as tensões na região aumentaram entre os países islâmicos e Israel, temendo ter seu território invadido pelos vizinhos, Israel resolver se antecipar e mobilizou suas tropas e na chamada Guerra dos Seis Dias; Israel dominou e expulso tropas egípcias, sírios e jordanianos, aumentando seu território ainda mais, especialmente tomando do Egito a região do Sinai.
Ao final da Guerra dos Seis Dias, Israel começa a criar assentamento de judeus em terras palestinas e com isso a Organização das Nações Unidas diz que os tais assentamento são ilegais. Assim, os palestinos e egípcios, com apoio da União Soviética, e Israel com apoio dos Estados Unidos; como represália do apoio americanos a Israel, os Estados muçulmanos, que eram os maiores produtores de petróleo do mundo resolveram diminuir a produção e aumentar o preço do barril petróleo, criando a crise do petróleo nos anos 1970.
Nos anos 1970, Israel resolver devolver a região do Sinai para o Egito e ao mesmo tempo declarando que Jerusalém seria a capital de Israel, que era considerado território neutro.
Com isso, os palestinos que viviam em Jerusalém começaram a se revoltar contra o domínio de Israel e criaram, em 1987, o grupo Hamas (Hamás – assim que se lê com assento no segundo “A”), que seria um braço violento de luta armada contra Israel e que os Estados Unidos passaram a considerar que eles eram terroristas.
No ano seguinte, em 1988, foi criado a OLP (Organização pela Libertação da Palestina) com apoio da Liga Árabe, e em 15 de novembro de 1988 declara a criação do Estado Palestino e que sua capital seria em Jerusalém, vejam que Jerusalém agora era a capital do Estado Judeu e do Estado Palestino.
De 1988 à 1993, ambos os lados vivem em intenso conflito e em 1993 o Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, consegue que Israel, liderado por Yitzak Rabin e Palestina sob a liderança de Yasser Arafat assinassem um acordo de paz que garantia mais liberdade para palestinos que viviam na Faixa de Gaza e em Jericó.
Com o acordo, os extremistas de Israel mataram o Primeiro Ministro Yitzak Rabin por não concordarem com as concessões para os palestinos e com isso os conflitos se intensificaram mais ainda entre ambos os lados e para conter os palestinos, Israel construiu uma muralha para impedir o acesso de palestinos a certas regiões.
Com forma de diminuir as tensões, em 2005 Israel deixou o controle da Faixa de Gaza para os palestinos, mas que Israel eram quem controlava a fronteira entre Faixa de Gaza e Israel.
Com o controle sobre a Faixa de Gaza, os extremistas do Hamas, que também é um partido políticos na região, assumiram o controle político da Faixa de Gaza nas eleições daquele ano, o que fez criar, por parte de Israel, maior desconfiança com o domínio político do Hamas e este (Israel) passa a atacar parte da Faixa de Gaza, o que é reprimido pelo Hamas, que recebe apoio do Hezbollah, que é um grupo extremista do Líbano.
Assim, desde 2007, a Faixa de Gaza passou a concentrar a maior parte dos extremistas do Hamas que também tem brigas com o Fatah, que controla a Cisjordânia, local onde fica Jerusalém, que é considerada como capital de judeus e palestinos e é reivindicada o controle de ambos os lados com colônias de judeus e palestinos por lá.
O que aconteceu nesta semana que passou, foi que o Hamas invadiu o território de Israel, saindo da faixa de Gaza, e matou e sequestrou vários civis israelenses e de outras nacionalidades, aumentando as tensões na região.
O que podemos deduzir é que o conflito na região está muito longe de se chegar a um fim, pois, de um lado tem o extremismo judaico que só apoia o lado judaico e do outro lado tem os extremistas palestinos que só apoia o lado palestino.
Quanto a existência de um grupo de “meio-termo”, estes basicamente não existem, pois se constitui uma pequena minoria que acaba sendo sufocada por ambos os lados que vivem um conflito territorial-religioso de milhares de anos e sem uma solução pacífica a longo prazo.
Eu, de forma particular e até mesmo em forma de brincadeira, se tivesse que culpar alguém pelo surgimento dos conflitos, jogaria a culpa sobre Abraão, pois foi ele, que ao constituir herdeiros com Sara a Agar, fez surgir os povos judeus e muçulmanos que brigam até hoje pelo controle da região que hoje é Israel e Palestina, incluindo aí a Faixa de Gaza.
REAFIRMO QUE ESTA AFIRMAÇÃO MINHA É MAIS COMO FORMA DE BRINCADEIRA PARA DESCONTRAIR AS TENSÕES EXISTENTES NA REGIÃO.
José Salatiel Cordeiro Ramalho
Gr.˙. 30
14 de outubro de 2023

Perfeito texto meu irmão, você conseguiu ser conciso e explicar em um texto relativamente pequeno em uma historia tão complexa e cheia de nuances como é a historia do povo judeu e os conflitos que os mesmo enfrenta a muito.