AS PRAGAS DO EGITO E DO SÉCULO XXI

Conforme falei no artigo de 17 de abril “A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA”, vou falar sobre as Setes Pragas do Egito.

Para algumas pessoas este texto poderá soar como sendo uma crendice ou com um viés religioso, quando algumas igrejas, notadamente as evangélicas, incutam na cabeça de seus fiéis uma visão de pecado mais forte e de um Deus castigador; mas lhes juro que não é, e, se assim você entender peço minhas desculpas de forma antecipada.

Antes de adentrar no texto propriamente dito, voltemos ao Egito na época em que Moisés tenta libertar os hebreus da escravidão.

Muito antes da peregrinação no deserto durante os 40 anos, Moisés já havia tentado libertar seu povo a mando de Deus, mas que não obtivera sucesso com os faraós que insistiam em manter os hebreus escravizados.

Como forma de convencimento, Moisés, por ser o emissário de Deus na Terras, teria alertado as autoridades egípcias que Deus iria se vingar e que lançaria dez pragas que iriam assolar o Egito até que seu povo fosse libertado.

A narrativas das dez pragas é tão plausível que estão escritas no Livro de Êxodo da Bíblia e seriam:

1 – As águas do Rio Nilo iriam se transformar em sangue.

Religiosamente falando, no Egito Antigo, o deus responsável por garantir o abastecimento de água através do Rio Nilo era Hapi e para os hebreus, ao transformar as águas do Rio Nilo em sangue, o Deus dos hebreus havia vencido Hapi e transformou a água do rio em sangue como castigo.

Cientificamente falando, lembro que aqui é uma versão de cientistas da modernidade atual, as águas do Rio Nilo teriam ficado vermelhas sob um de dois aspectos que havia ocorrido na época.

A primeira explicação é quanto a uma erupção vulcânica na ilha de Santorini e as partículas de ferro e gases dessa erupção teriam atingido as águas do rio. A outra possível explicação, científica, é que as águas teriam ficado vermelha devido a grande proliferação de algas tóxicas no rio.

A verdade inconteste é que as águas ficaram vermelhas como descrito no Livro de Êxodo:

Assim diz o Senhor: Nisto saberás que eu sou o Senhor: Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as águas que estão no rio, e tornar-se-ão em sangue. E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio cheirará mal; e os egípcios terão nojo de beber da água do rio. Êxodo 7:17,18

2 – Rãs cobrem a terra.

Na crença dos egípcios, as rãs eram relacionadas a deusa Herek, que era responsável pela fertilidade e ela teria a cabeça de uma rã; como forma de vingança, Herek não mais controlava as rãs e sim Deus e este fez surgir rãs por todas as casas, mais uma vez como forma de vingança.

A explicação científica tem ralação com a primeira praga, sendo relacionada as duas ocorrências citadas, ou seja, devido a erupção do vulcão em Santorini e o ferro e gases terem contaminado as águas ou então a proliferação das algas tóxicas no Rio Nilo fez com que a rãs deixassem as margens do rio e procurassem refúgio junto à população.

Mais uma vez esse acontecimento está em Êxodo:

E o rio criará rãs, que subirão e virão à tua casa, e ao teu dormitório, e sobre a tua cama, e às casas dos teus servos, e sobre o teu povo, e aos teus fornos, e às tuas amassadeiras. Êxodo 8:3

3 – Piolhos atormentam a população.

Aqui não teria sido Moisés diretamente, mas sim Arão, que através de Moisés foi o responsável por esta praga e que estaria relacionado ao deus Geb, divindade egípcia da Terra ou a Thot, deus do conhecimento, sabedoria e magia.

Arão teria proliferado a terra com piolho para mostrar a Geb que ele dominava a terra a mando de Deus ou Thot, sendo ele, Arão, detentor de toda a magia por ter transformado a terra um habitat de piolhos.

Para a ciência, o que pode ter ocorrido é que, devido a erupção do vulcão de Santorini, a população passou a tomar mais banho, devido as cinzas do vulcão, assim como passaram a cortar mais o cabelo e com isso perceberam o quanto estavam infestados de piolho.

Diz Êxodo:

Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Estende a tua vara, e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egito. Êxodo 8:16

4 – Moscas escurecem os céus.

Na crença egípcia, as moscas estão associadas ao deus Khepri, que representa o Sol e estaria personificado no inseto escaravelho; sendo as moscas insetos que deixariam os egípcios desesperados com tanto inseto.

Aqui faço um parágrafo: venhamos e convenhamos, uma mosca incomoda demais, já imaginaram zilhões de moscas todos os dias o dia todo?

Os cientistas acreditam que as moscas surgiram em grande quantidade devido ao fato de que os egípcios estavam caçando as rãs e as matando, assim como muitas outras estavam apenas em migração e com a grande diminuição das rãs, houve um aumento exacerbado das moscas.

Vamos de êxodo:

Porque se não deixares ir o meu povo, eis que enviarei enxames de moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e às tuas casas; e as casas dos egípcios se encherão destes enxames, e também a terra em que eles estiverem. Êxodo 8:21

5 – A morte de animais.

Na mitologia egípcia, acredita-se que o deus Hatos, relacionado ao céu, ao amor e à proteção, também estaria relacionado a deusa Nut, deusa do céu e Seráfis, deusa das vacas e a vingança Divina teria recaídos sobre os animais, matando-os pra mostrar sua superioridade sobre os deuses egípcios.

Os cientistas acreditam que os constantes desastres naturais que passavam o Egito e com a proliferação das moscas, estas passaram a transmitir uma maior quantidade de doença aos animais, notadamente os animais da pecuária.

Em Êxodo temos:

Porque se recusares deixá-los ir, e ainda por força os detiveres, Eis, que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo, sobre os cavalos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre as ovelhas, com pestilência gravíssima. Êxodo 9:2,3

6- Chagas afligem homens e animais.

Esta foi a primeira das dez pragas que afetou diretamente as pessoas, uma vez que estas e os animais passaram a apresentar lacerações em seus corpos.

Essa praga esta relacionada a deusa Ísis, deusa do amor, da fertilidade, da magia e da medicina egípcia e que ela não teria como curar esta praga de seu povo, tornando-se ineficaz sua crença.

Para os cientistas, essas lacerações podem ter sido causadas tanto pela proliferação das moscas com também pelos gases da erupção vulcânica ou os banhos nas águas do Rio Nilo que estavam contaminadas com as algas ou gases que haviam tornado ela vermelha.

No Livro do Êxodo, ele fala:

Tomai vossas mãos cheias de cinza do forno, e Moisés a espalhe para o céu diante dos olhos de Faraó; E tornar-se-á em pó miúdo sobre toda a terra do Egito, e se tornará em sarna, que arrebente em úlceras, nos homens e no gado, por toda a terra do Egito. Êxodo 9:8,9

7 – Uma chuva de granizo destrói plantações.

Sem atender aos aclames de Moisés, o faraó recebeu a sétima praga, que foi uma chuva de pedras sobres as cidades e com isso afetar as divindades Nut, Ísis e Osiris, as divindades egípcias relacionadas aos fenômenos da natureza.

Mais uma vez os cientistas apontam para duas possibilidades, sendo uma possível chuva de granizo que caiu sobre o Egito; e, a segunda possibilidade, que teria sido pedras que foram lançadas com a erupção do vulcão em Santorini.

A verdade é que Êxodo cita:

Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e haverá saraiva em toda a terra do Egito, sobre os homens e sobre o gado, e sobre toda a erva do campo, na terra do Egito. Êxodo 9:22

8 – Nuvens de gafanhotos consomem cultivos.

Neste caso, os egípcios acreditam que Seth seria o responsável, por ser o deus da guerra, do caos e da seca e esta praga teria vindo para prejudicar as populações e consequentemente todo o Egito.

Os cientistas acreditam, que assim como as moscas, também vieram os gafanhotos como consequência dos constantes eventos naturais que passava o Egito.

Em Êxodo há menção aos gafanhotos:

Porque se ainda recusares deixar ir o meu povo, eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos. Êxodo 10:4

9 – Trevas encobrem o Sol por três dias.

Ao contrário das outras oito pragas, esta teria caído sobre o Egito sem aviso, e teria sido através de três dias de total escuridão sobre o território.

Esta praga teria sido para mostrar o poder de Deus sobre o deus egípcio Rá, responsável pelo Sol, criador do mundo, dos deuses e da própria humanidade.

Para os cientistas, essa escuridão pode ter sido causada por uma forte tempestade de areia, ou nuvens de poeira da erupção do vulcão de Santorini, ou ainda, e mais plausível, por causa de um eclipse solar, deixando o Egito às escuras por três longos dias.

Assim diz Êxodo:

Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se apalpem. E Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. Êxodo 10:21,22

10 – Os primogênitos morrem.

Após as nove pragas anteriores, o faraó teria ameaçado Moisés de morte e, este, por vingança de Deus teria lhe revelado que todos os primogênitos do povo egípcio morreriam.

Os egípcios acreditavam que o faraó era a personificação do deus Rá aqui na terra, e que o faraó era o detentor do poder de vida e de morte, e Deus teria se vingado através da morte dos primogênitos para que não houvesse mais faraó e consequentemente não haveria mais um poder de Rá na terra.

Os cientistas acreditam em duas possibilidades, sendo a primeira de que com a erupção do vulcão de Santorini, os alimentos foram contaminados e, como os primogênitos tinham preferência para se alimentar primeiro, estes morriam antes dos mais novos; outra teoria é que, como os primogênitos dormiam no chão de seus aposentos, como forma de preparação para a vida, estes inalavam muito mais dióxido de carbono da erupção que seus irmãos mais novos que dormiam em uma espécie de cama.

Em Êxodo diz:

Disse mais Moisés: Assim o Senhor tem dito: À meia-noite eu sairei pelo meio do Egito; E todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que haveria de assentar-se sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais. Êxodo 11:4,5

Feito esta breve e extensa explicação sobre as dez pragas do Egito, passo ao século XXI onde existe um documentário “ O Último Papa” no The History Channel, do ano de 2018, que fala sobre as profecias de São Malaquias, escritas por volta de 1113, e lá para as tantas, há um momento em que fala que o mundo, neste século, passará por grandes ondas de pandemias e doenças antes nunca existente, sendo estas profecias relacionada ao chamado “Último Papa”. Neste documentário, fala ainda sobre uma possível tentativa da Rússia em torna-se potência mundial, fato que estamos vendo agora em 2022.

Nela, Malaquias diz: “In persecutione extrema sacrae romanae Ecclesiae, sedebit Petrus Romanus, qui pascet oves in multis tribulationibus, quibus transactis, civitas septicolis dirue tur, et Iudex tremendus iudicabit populum. (Na última perseguição da Santa Igreja Romana, Pedro Romano será o papa que apascentará as ovelhas no meio de muitas tribulações, findas as quais, a cidade das sete colinas [Roma] será destruída e o Juiz tremendo julgará o povo).”.

Se formos parar para analisar a referida profecia de Malaquias, iremos perceber uma certa veracidade com os acontecimentos que temos vivido nos últimos anos, pois neste atual século temos vivido ondas de doenças nunca antes vistas, uma atrás da outra.

Neste contexto da atualidade e se formos comparar com as Pragas do Egito, tivemos como ponto de partida a gripe aviária, também chamada de Gripe H5N1 ou Influenza, que assustou o mundo entre 2003 e 2004. Essa primeira ocorrência não chegou a ser classificada pela Organização Mundial de Saúde como sendo Pandemia, mas sim como Epidemia.

No Brasil, tivemos o registro oficial de quase 500 mortes da gripe aviária nesses dois anos de surto, de um total de pouco mais de 900 pessoas diagnosticadas com a H5N1, mas a doença assolou todos os países do Globo e causou preocupação nas autoridades de saúde pública.

A segunda praga da atualidade veio entre 2009 e 2010 com o surto da H1N1 ou Gripe Suína, e, assim como a anterior, é causada pela Influenza, sendo que neste caso pela Influenza Tipo A.

Para a Organização Mundial de Saúde, foram registrado um total de 18.500 mortes; mas organismos de saúde estimam que os casos de mortes não catalogados podem chegar entre 151 a 575 mil mortes em todo mundo, sendo esta a primeira pandemia que assolou nosso Globo.

A terceira praga da atualidade foi o vírus Ebola, na África entre os anos de 2013 e 2016, que assustou a população africana e as autoridades mundiais de saúde para evitar a proliferação, e, que segundo estes houve um total de 11.323 mortes.

Em que pese a doença ter chegado a Europa e Estados Unidos, não chegou a se alastrar devido às rápidas atuações das autoridades sanitárias de cada uma das nações envolvidas com os primeiros casos em seus territórios.

Não tivemos registro de casos e muito menos de mortes por Ebola no Brasil ou na América do Sul.

Para registro, a nível de Brasil podemos dizer que a quarta praga veio em 2014 com o surto de Microcefalia, que se revelou uma verdadeira Endemia entre as mulheres grávidas; sendo esta causada por um mosquito que afetava o desenvolvimento do feto e consequentemente prejudicando o seu desenvolvimento quando nascido.

Em que pese ter falado do Brasil, mas a doença afetou outros países do mundo, notadamente aqueles países e regiões destes que apresentavam menores índices de desenvolvimento sanitário, uma vez que o agente causador não era um vírus, e sim um mosquito.

Não há um número de certo de mortes por Microcefalia, assim como as autoridades de saúde dos países não conseguem catalogar todos os casos de crianças com Microcefalia, mas em nosso país, o Ministério da Saúde “acredita” ter o registro de 739 casos.

A quinta praga é a Covid-19, surgida no final de 2019 e que realmente conseguiu fazer o que Raul Seixas ‘profetizou’ em sua música “O Dia Em Que a Terra Parou” que foi quando todos os lugares do mundo pararam de se movimentar por causa do SARSCOV-2.

A doença se alastrou de tal forma que a única saída foi fechar todos os serviços não essenciais em todos os confins da Terra e hoje, 16 de maio de 2022, em plena pandemia de Covid-19 tivemos mais de 521 milhões de casos no mundo todo, com um total de quase 7 milhões de mortes, sendo esta a pior Pandemia que o mundo já enfrentou, em todos os termos.

Não sei se é semelhança, mas as profecias de São Malaquias estão acontecendo em nossos dias e na nossa frente, matando pessoas queridas, amigos, familiares e destruindo famílias inteiras.

E assim eu termino este texto com “Na última perseguição da Santa Igreja Romana, Pedro Romano será o papa que apas centará as ovelhas no meio de muitas tribulações, findas as quais, a cidade das sete colinas [Roma] será destruída e o Juiz tremendo julgará o povo) ”.

José Salatiel Cordeiro Ramalho

Bacharel em Direito e em História com Pós-Graduação em História do Brasil

Gr.˙. 19 16 de maio de 2022

Este post tem 2 comentários

  1. Ednaldo

    Texto excelente bem trabalhado de uma clareza incrível com explicações lúcidas sobre os fatos.

    Toda o entendimento que tenho de Cristo é a lei da oportunidade, da esperança, do perdão, da nova chance, como dei a entender eu tenho uma crença em Deus de verdade passando a aceitar as explicações oferecidas pelos cientista, mas eu creio que o fenômeno aconteceu para a Sua Glória. Racionalmente se faz necessário diminuir os altos consumos bem como passarmos a respeitar mais o planeta, permitindo que a natureza nós auxiliar na preservação de nosso sistema.

  2. Thiago

    muito bom, ficou nítido que as pragas do Egito foram desafios aos deuses, havendo uma escalada ao desafio final e mais pesado, o deus dos judeus desafiou o deus vivo na terra e apos todas derrotas e depois de terem suas divindades humilhadas o faraó deixou o povo partir.

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